| Um estudo realizado pelo laboratório Schering AG
com um novo medicamento para tratar o tipo mais comum de leucemia do adulto -
e que chegará ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2007 - mostrou
que houve um aumento de 30% no número de pessoas que reagiram bem à
terapia em comparação com a resposta obtida com o tratamento convencional.
Em 24% dos casos, houve um desaparecimento total da doença durante os dois
anos em que o estudo foi desenvolvido, resposta 12 vezes maior em relação
ao índice de 2% registrado pela terapia padrão. O objetivo foi avaliar
o uso da nova terapia como primeira opção de tratamento para a leucemia
linfocítica crônica.
O estudo revelou que os pacientes que receberam a nova terapia por cerca de
12 semanas tiveram uma resposta consideravelmente maior em termos de eficácia
e segurança do que os que foram tratados com a droga convencional durante
24 semanas. Entre os pacientes que usaram o novo medicamento, 83% responderam
ao tratamento, enquanto que com a terapia convencional essa taxa foi de 55%.
Também houve um aumento da sobrevida dos pacientes e uma redução
de 42% do risco de progressão da doença ou de morte. Além
disso, com a nova terapia os pacientes mantiveram-se sem tratamento adicional
por cerca de dois anos. “Isso significa que o tempo em que a doença
deixou de progredir foi maior no grupo que recebeu alentuzumabe (princípio
ativo), chegando a ser quase cinco vezes maior em um subgrupo de pacientes com
anormalidades genéticas”, explica Alisson Monteiro, oncologista e
assessora médica da Schering do Brasil.
Para Ricardo Bigni, médico hematologista e responsável pelas
rotinas de LLC e LNH (Linfoma não-Hodgkin) do Instituto Nacional do Câncer
(INCA), o estudo clínico mostrou que a nova terapia tem a vantagem de beneficiar
os pacientes com piores prognósticos. “São poucos os tratamentos
que oferecem uma melhora significativa de sobrevida, se comparados aos tratamentos
mais clássicos”. Ele diz que a pesquisa pôde documentar a superioridade
do medicamento. “alentuzumabe apresentou maiores taxas de resposta e sobrevida,
principalmente naqueles pacientes que não responderiam bem aos tratamentos
convencionais”, destaca.
Os resultados desse estudo eram aguardados com expectativa pela comunidade
médica e foram anunciados durante o ASH 2006 – 48ª Reunião
Anual da Sociedade Americana de Hematologia, em Orlando (EUA). O estudo clínico
de fase III (com pacientes) comparou a eficácia e a segurança do
alentuzumabe com o clorambucil, uma das drogas mais antigas utilizadas no tratamento
da leucemia linfocítica crônica (LLC), tipo mais comum de leucemia
do adulto e que atinge cerca de 30 mil pessoas no Brasil.
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