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12.12.06

Pesquisa aponta relação entre níveis hormonais
e qualidade de vida em homens acima dos 40 anos

 

Uma pesquisa inédita com mais de 10 mil brasileiros acima dos 40 anos revelou que os sintomas característicos do DAEM (Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino) são mais comuns do que se pensava. Mais da metade dos homens afirmou sentir irritabilidade (64,9%), dores nas articulações e músculos (63,3%), nervosismo (61,2%) e alterações do sono (54,1%). Além disso, mais de 40% dos homens manifestaram algum tipo de queixa em graus variados, como esgotamento físico (49,5), diminuição das ereções matinais (49,4%), redução da força muscular (49,1%) e do desempenho sexual (48,1%), cansaço (42,2%) e depressão (41,1%).

O “Estudo Populacional do Envelhecimento Masculino” (EPEM) foi coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo e desenvolvido pelo Projeto Sexualidade (Prosex), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, durante o primeiro semestre de 2006 e com apoio do laboratório Schering do Brasil. Homens e mulheres responderam a uma pesquisa sobre qualidade de vida em 18 estados e no Distrito Federal. Essa foi a primeira vez que pesquisadores avaliaram a freqüência dos sinais e sintomas do DAEM na população.

Um fato que chamou a atenção é que 81,1% dos homens não dosaram seus níveis hormonais nos últimos 12 meses. ”Evidentemente, as queixas podem ser originadas por diversos fatores, mas a alta incidência de três ou mais sintomas característicos do DAEM nos leva a investigar esse quadro”, destaca Carmita Abdo.

Os hábitos de vida também merecem atenção. Muitos homens disseram ter vida sedentária (35,2%) e estressante (23,6%), sendo que 24,7% confessam comer mais do que precisam. No público feminino estes índices são de 38%, 23,8% e 27,8%, respectivamente. Enquanto a mulher na idade madura procura o médico para tratar, principalmente, o colesterol alto (15,4%), a hipertensão (14,1%), a depressão (12,9%), a obesidade (11,0%) e a falta de hormônios sexuais devido à menopausa (10,2%), os homens parecem se preocupar mais com a hipertensão (21,5%), o colesterol alto (19,8%) e o diabetes (8,1%). “A referência de falta de hormônios sexuais é feita por menos de 2% dos homens, mas os sintomas do DAEM são comuns, o que pode indicar a ausência de diagnóstico”, explica Carmita.

Os médicos mais consultados pelas mulheres com mais de 40 anos são os ginecologistas (27,8%), seguidos por oftalmologistas (14,5%) e cardiologistas (12,3%), entre outras especialidades. Já os homens vão mais ao cardiologista (21,2%), ao urologista (19,3%) e ao clínico geral (18,1%). Boa parcela, portanto, dos entrevistados não passou por consulta urológica no último ano, mesmo que, como revelou a pesquisa, 30,8% deles tenham medo de perder o desejo sexual e 27,4% de perder a ereção, fatores apontados por eles, entre outros, como medos próprios do envelhecimento.

O universo pesquisado
O “Estudo Populacional do Envelhecimento Masculino” (EPEM) contou com 10.161 brasileiros (55,7% homens e 44,3% mulheres) que preencheram um questionário anônimo e auto-responsivo. O estudo contemplou 18 estados (Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo) e o Distrito Federal.

Do total do público masculino, 74,4% são casados ou vivem com a companheira (25,6% são solteiros, separados, divorciados ou viúvos). Quanto à situação atual de trabalho, 55,4% estão empregados, 20,3% trabalham na informalidade, 16,8% são aposentados, 4,3% estão desempregados e 3,2% trabalham em casa. Dos entrevistados, 96,9% se declararam sexualmente ativos, 58,8% consomem regularmente bebidas alcoólicas (33,6% não consomem e 7,6% são ex-consumidores) e mais da metade (64,2%) não fuma (contra 22,9% de ex-fumantes e 12,9% de fumantes).

Tratamento especializado
O último Consenso da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), publicado em fevereiro de 2006, indica a reposição hormonal masculina nos casos em que o DAEM for confirmado por exames laboratoriais e os sintomas justificarem a necessidade de terapia. Já a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) produziu as “Diretrizes de Diagnóstico e Tratamento do Hipogonadismo Masculino Tardio”, publicadas pela Associação Médica Brasileira, em 2004. De acordo com os consensos, os benefícios da terapia hormonal estão relacionados à restauração de massa óssea e de força muscular, melhora do bem-estar, do humor e da função sexual do homem. Entre os tratamentos mais utilizados estão as injeções intramusculares que hoje podem ser administradas em quatro aplicações por ano, mantendo os níveis hormonais regulares. Outras formas de reposição da testosterona são comprimidos, injeções quinzenais, gel cutâneo e adesivos.

 
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