| Uma pesquisa inédita com mais de 10 mil brasileiros
acima dos 40 anos revelou que os sintomas característicos do DAEM (Distúrbio
Androgênico do Envelhecimento Masculino) são mais comuns do que se
pensava. Mais da metade dos homens afirmou sentir irritabilidade (64,9%), dores
nas articulações e músculos (63,3%), nervosismo (61,2%) e
alterações do sono (54,1%). Além disso, mais de 40% dos homens
manifestaram algum tipo de queixa em graus variados, como esgotamento físico
(49,5), diminuição das ereções matinais (49,4%), redução
da força muscular (49,1%) e do desempenho sexual (48,1%), cansaço
(42,2%) e depressão (41,1%).
O “Estudo Populacional do Envelhecimento Masculino” (EPEM) foi
coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo e desenvolvido pelo Projeto Sexualidade
(Prosex), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São
Paulo, durante o primeiro semestre de 2006 e com apoio do laboratório Schering
do Brasil. Homens e mulheres responderam a uma pesquisa sobre qualidade de vida
em 18 estados e no Distrito Federal. Essa foi a primeira vez que pesquisadores
avaliaram a freqüência dos sinais e sintomas do DAEM na população.
Um fato que chamou a atenção é que 81,1% dos homens não
dosaram seus níveis hormonais nos últimos 12 meses. ”Evidentemente,
as queixas podem ser originadas por diversos fatores, mas a alta incidência
de três ou mais sintomas característicos do DAEM nos leva a investigar
esse quadro”, destaca Carmita Abdo.
Os hábitos de vida também merecem atenção. Muitos
homens disseram ter vida sedentária (35,2%) e estressante (23,6%), sendo
que 24,7% confessam comer mais do que precisam. No público feminino estes
índices são de 38%, 23,8% e 27,8%, respectivamente. Enquanto a mulher
na idade madura procura o médico para tratar, principalmente, o colesterol
alto (15,4%), a hipertensão (14,1%), a depressão (12,9%), a obesidade
(11,0%) e a falta de hormônios sexuais devido à menopausa (10,2%),
os homens parecem se preocupar mais com a hipertensão (21,5%), o colesterol
alto (19,8%) e o diabetes (8,1%). “A referência de falta de hormônios
sexuais é feita por menos de 2% dos homens, mas os sintomas do DAEM são
comuns, o que pode indicar a ausência de diagnóstico”, explica
Carmita.
Os médicos mais consultados pelas mulheres com mais de 40 anos são
os ginecologistas (27,8%), seguidos por oftalmologistas (14,5%) e cardiologistas
(12,3%), entre outras especialidades. Já os homens vão mais ao cardiologista
(21,2%), ao urologista (19,3%) e ao clínico geral (18,1%). Boa parcela,
portanto, dos entrevistados não passou por consulta urológica no
último ano, mesmo que, como revelou a pesquisa, 30,8% deles tenham medo
de perder o desejo sexual e 27,4% de perder a ereção, fatores apontados
por eles, entre outros, como medos próprios do envelhecimento.
O universo pesquisado
O “Estudo Populacional do Envelhecimento Masculino” (EPEM) contou
com 10.161 brasileiros (55,7% homens e 44,3% mulheres) que preencheram um questionário
anônimo e auto-responsivo. O estudo contemplou 18 estados (Amazonas, Bahia,
Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais,
Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná,
Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São
Paulo) e o Distrito Federal.
Do total do público masculino, 74,4% são casados ou vivem com
a companheira (25,6% são solteiros, separados, divorciados ou viúvos).
Quanto à situação atual de trabalho, 55,4% estão empregados,
20,3% trabalham na informalidade, 16,8% são aposentados, 4,3% estão
desempregados e 3,2% trabalham em casa. Dos entrevistados, 96,9% se declararam
sexualmente ativos, 58,8% consomem regularmente bebidas alcoólicas (33,6%
não consomem e 7,6% são ex-consumidores) e mais da metade (64,2%)
não fuma (contra 22,9% de ex-fumantes e 12,9% de fumantes).
Tratamento especializado
O último Consenso da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), publicado
em fevereiro de 2006, indica a reposição hormonal masculina nos
casos em que o DAEM for confirmado por exames laboratoriais e os sintomas justificarem
a necessidade de terapia. Já a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e
Metabologia (SBEM) produziu as “Diretrizes de Diagnóstico e Tratamento
do Hipogonadismo Masculino Tardio”, publicadas pela Associação
Médica Brasileira, em 2004. De acordo com os consensos, os benefícios
da terapia hormonal estão relacionados à restauração
de massa óssea e de força muscular, melhora do bem-estar, do humor
e da função sexual do homem. Entre os tratamentos mais utilizados
estão as injeções intramusculares que hoje podem ser administradas
em quatro aplicações por ano, mantendo os níveis hormonais
regulares. Outras formas de reposição da testosterona são
comprimidos, injeções quinzenais, gel cutâneo e adesivos.
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