| Um estudo divulgado durante o Congresso Mundial de Cardiologia, realizado em Barcelona, no mês de setembro, revelou que a síndrome metabólica pode aumentar o risco de morte súbita de origem cardíaca em 70% dos casos.
O Dr. Jairo Lins Borges, médico cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de São Paulo, explica que a síndrome é o resultado de um processo iniciado muitas vezes pela obesidade. “Podemos considerá-la um problema de saúde pública, que precisa ser combatido urgentemente. Essa patologia atinge aproximadamente 50% das pessoas com mais de 60 anos, 85% dos diabéticos e 40% a 50% dos cardíacos”, disse.
Nos EUA, segundo Dr. Jairo Lins Borges, 24% dos adultos têm a síndrome e, entre os principais fatores que levam ao desenvolvimento da doença estão as questões ambientais e predisposição genética; hábitos alimentares inadequados e falta de exercícios físicos, além de pressão alta, colesterol anormal e tendência para diabetes.
De acordo com as diretrizes européias sobre Síndrome Metabólica, essa doença é caracterizada pela presença de três ou mais dos seguintes indicadores clínicos: cintura abdominal acima de 94 cm para homens e 80 para mulheres; glicose acima de 100 mg/dl; pressão arterial igual ou acima de 130 por 85; HDL-C (bom colesterol) abaixo de 40 mg/dl para homens e 50 para mulheres; e triglicérides acima de 150 mg/dl. “Controlar esses índices, portanto, é fundamental”, alerta Dr. Jairo Lins Borges.
O especialista explica ainda que os fatores que caracterizam a síndrome metabólica resultam de uma cadeia de eventos que ocorrem no interior do corpo. “A obesidade abdominal (ou a popular "barriguinha de chope") inicia todo o processo, pois essa gordura acumulada gera triglicérides em excesso e para evitar esse problema não adianta fazer lipoaspiração, pois o perigo está na gordura que fica entre as vísceras, e não na aparente (subcutânea), alvo da operação, que tem efeito apenas estético”.
Dr. Jairo Lins Borges alerta ainda para os ácidos graxos gerados no abdômen que se transformam em triglicérides, que vão para a circulação sanguínea e reagem com o HDL-C (bom colesterol), fragmentando suas moléculas. “Por causa de seu tamanho reduzido, este HDL-C modificado pelos triglicérides acaba sendo eliminado pelo corpo, perdendo seu poder de proteção cardiovascular. Além disso, os triglicérides potencializam o perigo do LDL-C (mau colesterol) e a mesma fragmentação acontece com o mau colesterol e dá origem a pequenas partículas do mau colesterol, que são ainda mais perigosas, ajudando na formação da aterosclerose, que são placas de gordura que entopem as artérias e podem levar ao infarto ou à morte cardíaca”, ressalta o especialista. |