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01.11.06

Estudos apontam que papinhas podem
causar anemias e desnutrição nos bebês

 

Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgou recentemente que tanto as mães quanto a indústria alimentícia podem estar cometendo erros no preparo da alimentação infantil oferecida após o sexto mês de vida dos bebês.

Do grupo de crianças analisado pela pesquisa que consumia os alimentos caseiros, 10% apresentaram desnutrição e, 60%, anemia. Ainda segundo o estudo, as refeições caseiras, da forma como estavam sendo preparadas, proporcionavam baixo conteúdo energético e elevado teor de sal. Já as refeições industrializadas, apesar de maior porcentagem energética, apresentavam uma inadequada distribuição de nutrientes.

A análise laboratorial da composição química de proteínas, lipídios, fibras, carboidratos, ferro, sódio e energia feita em 60 amostras de refeições caseiras e em 25 industrializadas – adquiridas em estabelecimentos comerciais de São Paulo – revelou que todas apresentaram quantidades muito pequenas de ferro, e em longo prazo, de acordo com as conclusões do estudo, os efeitos da alimentação inadequada são mais significativos e as crianças podem desenvolver obesidade, hipertensão, alergias, problemas cardiovasculares e diabetes.

Para a médica endocrinologista e nutróloga do Centro Integrado de Terapia Nutricional (Citen), Dra.Ellen Simone Paiva, todos os dados revelados pela pesquisa da Unifesp são preocupantes porque a fase de transição entre o aleitamento materno para a introdução de alimentos sólidos é um momento muito importante e que deve propiciar o desenvolvimento saudável, portanto, a prevenção de doenças nas crianças.

“É importante saber que ao deixar de se alimentar exclusivamente do leite materno, o bebê deve ter assegurado o direito à alimentação balanceada, com ingestão de ferro e demais micronutrientes, proteínas, carboidratos e gorduras de maneira balanceada e variada. E justamente nesta fase é muito importante assegurar as necessidades calóricas do bebê, de cerca de 100 calorias/kg”, explica a médica nutróloga.

De acordo com Dra. Ellen Simone, o sal também não deve ser utilizado em excesso, pois pode causar um vínculo com o alimento salgado de difícil dissolução durante o desenvolvimento infantil. “E aí a criança pode passar a considerar “muito sem graça” o sabor das frutas, verduras e alimentos preparados com quantidades adequadas de sal e dar preferência aos alimentos industrializados, geralmente com maior teor de sal, como os salgadinhos”, alerta a especialista.

A endocrinologista explica ainda que como o Instituto de Medicina dos Estados Unidos (IOM) – que é referência mundial – ainda não estabeleceu uma proporção de energia proveniente dos nutrientes essenciais para cada refeição, na faixa etária entre sete a 12 meses, os valores adotados propostos para crianças de um a três anos são os mesmos. “Portanto, devem ser de 5% a 20% de proteínas, 30% a 40% de lipídios e 45% a 65% de carboidratos”.

Prevenção da anemia
A anemia é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a condição na qual o conteúdo de hemoglobina no sangue está abaixo do normal. “E como existem várias causas para o aparecimento da anemia, a deficiência de ferro no organismo tem sido a responsável por 90% das anemias em crianças e adolescentes”, explica a nutricionista Amanda Epifanio, que também integra o corpo clínico do Citen.

De acordo com a nutricionista, a grande necessidade de ferro na primeira infância torna difícil que os níveis adequados sejam supridos sem uma suplementação à dieta, quase obrigatória nesta fase da vida. “A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é de 1,0mg/kg/dia de ferro para todas as crianças entre seis e 26 meses. Além da suplementação, a dieta dessas crianças também devem conter alimentos ricos em ferro, como carnes vermelhas, vísceras (fígado) e ovo”, disse.

“Vale lembrar que o ferro do feijão e de legumes verdes escuros (espinafre) só é absorvido pelo organismo na presença de vitamina C, daí a importância do suco de laranja natural na refeição”, completa Amanda Epifanio.

Novos sabores e treinamento da mastigação
O período conhecido como desmame ou fase de transição, quando bem conduzido, permitirá à criança conhecer diferentes sabores e criar bons hábitos alimentares, como o de apreciar verduras, frutas e legumes. “O desmame é a transição do alimento líquido para os sólidos e semi-sólidos. É um processo que deve ser feito gradativamente após os seis meses de idade. Só depois disso o aparelho digestivo da criança estará pronto para receber outros alimentos. É fundamental apresentar alimentos variados e saudáveis aos bebês nesta fase, para plantarmos a semente dos bons hábitos alimentares”, indica a endocrinologista Ellen Paiva.

Segundo ela, esse período também contribui para outro tipo de treino, o da mastigação. “É importante que a mãe ofereça à criança alimentos amassados com o garfo, em vez de batidos no liquidificador. No início, o bebê estranha a textura, mas é bom que ele se habitue a mastigar, para desenvolver todas as estruturas da boca, o que contribuirá para o bom posicionamento dos dentes e a conseqüente articulação correta das palavras”, reforça a médica.

 
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