| A avaliação de 17 trabalhos clínicos,
que envolveram 2.305 pacientes internados na Holanda, Suíça, Itália,
Austrália, Estados Unidos e Alemanha, concluiu que pacientes submetidos
à dieta específica antes de uma cirurgia de grande porte têm
taxas de complicações infecciosas reduzidas. Também têm
o período de internação reduzido em pelo menos dois dias
e menores chances de complicações pós-cirúrgicas.
Este tipo de trabalho, no qual são reunidos estudos já existentes
que obedecem a critérios pré-determinados e a partir dos quais é
possível chegar a uma conclusão, é denominado metanálise.
Neste caso em particular, a metanálise foi realizada por um grupo de cirurgiões
do Brasil, de outros países da América Latina, Ásia e da
Austrália, que definiram que o escopo do trabalho seriam os pacientes submetidos
a cirurgias eletivas de grande porte.
"Ficaram de fora os doentes graves, em unidade de terapia intensiva",
explica o primeiro autor da metanálise, dr. Dan L. Waitzberg, diretor do
GANEP - Grupo de Nutrição Humana e professor associado da faculdade
de medicina da Universidade de São Paulo, Departamento de Gastroenterologia.
Segundo ele, os resultados abrem uma nova porta para a Medicina, que procura incessantemente
meios para reduzir as complicações infecciosas após cirurgias.
"Vários esforços vêm sendo feitos com esta finalidade.
A administração profilática de antibióticos e o preparo
intestinal são algumas das alternativas possíveis atualmente".
Os benefícios apontados pela metanálise representam uma economia
de cerca de R$ 5 mil por paciente, calcula o dr. Dan.
Números
A metanálise incluiu:
• 17 trabalhos clínicos randomizados, 14 publicados e 3 não-publicados;
• 2.305 pacientes internados na Holanda, Suíça, Itália,
Austrália, Estados Unidos e Alemanha.
Os principais resultados entre os pacientes usando a dieta imunomoduladora
foram:
• Taxa de complicações infecciosas 58% menor no pré-operatório;
• Internação hospitalar pós-cirúrgica pelo menos
2 dias menor com uso pré e perioperatório da dieta;
• Menos episódios de pneumonia em pacientes operados do trato gastrintestinal;
• Freqüência 46% menor de deiscências cirúrgicas
em pacientes operados do trato gastrintestinal que receberam a dieta no pré-operatório.
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