| O estudo Optimize, divulgado no último dia 15 durante
o congresso da Associação Européia para o Estudo do Diabetes
(EASD), mostrou que pacientes com diabetes postergam o tratamento ao máximo
por causa dos inconvenientes das injeções diárias de insulina.
O Congresso acontece de 14 a 17 de setembro, na Dinamarca.
O Optimize, levantamento internacional realizado pela Pfizer, envolveu 1.444
pacientes de sete países, incluindo o Brasil. Com base em seus resultados,
25 especialistas em diabetes de 16 países, inclusive o Brasil, elaboraram
um Relatório Consensual que aponta ações globais para o controle
do diabetes.
Segundo Jorge Gross, chefe de Serviço de Endocrinologia do Hospital
de Clínicas de Porto Alegre e um dos autores do Relatório Consensual,
a insulina é o medicamento mais eficiente para reduzir as taxas elevadas
de glicose no sangue. Além disso, a substância tem a vantagem de
ser uma reposição do hormônio que não está sendo
produzido em quantidades suficientes nos pacientes com diabetes. No entanto, seu
uso ainda é menor do que deveria ser. “Infelizmente, os portadores
de diabetes tipo 2 temem o tratamento com insulina, especialmente por envolver
injeções”, comenta.
Segundo o Optimize, quando perguntados do motivo da rejeição
ou adiamento do tratamento com insulina, 41% dos portadores de diabetes responderam
que a principal razão é o impacto e o inconveniente das aplicações
no dia-a-dia. O medo de agulhas foi a alegação de 35% dos pacientes.
No Brasil, essas porcentagens são mais altas: 49% e 42%, respectivamente.
“O diabetes é uma doença progressiva”, diz o endocrinologista
Freddy Goldberg Eliaschewitz, pesquisador da Universidade de São Paulo
(USP) e também autor do Relatório Consensual. “A maioria dos
portadores de diabetes tipo 2, que controla a doença por meio de exercícios,
dieta e medicamentos orais, provavelmente necessitará de terapia com insulina
para obter sucesso no tratamento. Porém, a adesão depende dos pacientes,
e estudos indicam que o início do tratamento com insulina é adiado
de quatro a seis anos.”
O levantamento Optimize, cujo objetivo era avaliar o conhecimento dos pacientes
sobre diabetes e o controle que fazem da própria doença, revela
o problema da falta de adesão ao tratamento com insulina. Quando perguntados
sobre as perspectivas de tratamento e o controle do diabetes, 90% dos brasileiros
portadores da doença e que já fazem uso da terapia com insulina
desejam outra forma de administração que não a injetável.
Diante das constatações do Optimize em relação
ao controle do diabetes e da previsão da Federação Internacional
de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) de que haverá em 2030 cerca
de 366 milhões de diabéticos no mundo, o Relatório Consensual
propõe ações para impedir o crescimento da doença.
Entre elas estão:
• Reforçar a conscientização pública e do
paciente sobre a gravidade do diabetes, a importância de seu controle e
do início imediato do tratamento com insulina, quando prescrito pelo médico;
• Incrementar a educação e os conhecimentos dos profissionais
de saúde sobre a insulina e as barreiras de adesão ao tratamento,
para que possam transmitir aos pacientes a importância do controle dos níveis
de glicose no sangue;
• Ressaltar junto às autoridades governamentais de saúde os
altos custos diretos das complicações da doença, estimados
em US$ 286 bilhões por ano em todo o mundo;
• Descobrir e divulgar novas formas de administração de insulina
para aumentar a adesão ao tratamento.
Além de ser a quarta causa de morte no mundo, o diabetes é responsável
por sérias complicações como cegueira, amputação,
ataque cardíaco e dano aos nervos quando não controlado. No Brasil,
o diabetes atinge cerca de 11 milhões de pessoas e no mundo são
aproximadamente 230 milhões.
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