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19.09.06

Pesquisa aponta que insulina injetável
afasta paciente com diabetes do tratamento

 

O estudo Optimize, divulgado no último dia 15 durante o congresso da Associação Européia para o Estudo do Diabetes (EASD), mostrou que pacientes com diabetes postergam o tratamento ao máximo por causa dos inconvenientes das injeções diárias de insulina. O Congresso acontece de 14 a 17 de setembro, na Dinamarca.

O Optimize, levantamento internacional realizado pela Pfizer, envolveu 1.444 pacientes de sete países, incluindo o Brasil. Com base em seus resultados, 25 especialistas em diabetes de 16 países, inclusive o Brasil, elaboraram um Relatório Consensual que aponta ações globais para o controle do diabetes.

Segundo Jorge Gross, chefe de Serviço de Endocrinologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e um dos autores do Relatório Consensual, a insulina é o medicamento mais eficiente para reduzir as taxas elevadas de glicose no sangue. Além disso, a substância tem a vantagem de ser uma reposição do hormônio que não está sendo produzido em quantidades suficientes nos pacientes com diabetes. No entanto, seu uso ainda é menor do que deveria ser. “Infelizmente, os portadores de diabetes tipo 2 temem o tratamento com insulina, especialmente por envolver injeções”, comenta.

Segundo o Optimize, quando perguntados do motivo da rejeição ou adiamento do tratamento com insulina, 41% dos portadores de diabetes responderam que a principal razão é o impacto e o inconveniente das aplicações no dia-a-dia. O medo de agulhas foi a alegação de 35% dos pacientes. No Brasil, essas porcentagens são mais altas: 49% e 42%, respectivamente.

“O diabetes é uma doença progressiva”, diz o endocrinologista Freddy Goldberg Eliaschewitz, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e também autor do Relatório Consensual. “A maioria dos portadores de diabetes tipo 2, que controla a doença por meio de exercícios, dieta e medicamentos orais, provavelmente necessitará de terapia com insulina para obter sucesso no tratamento. Porém, a adesão depende dos pacientes, e estudos indicam que o início do tratamento com insulina é adiado de quatro a seis anos.”

O levantamento Optimize, cujo objetivo era avaliar o conhecimento dos pacientes sobre diabetes e o controle que fazem da própria doença, revela o problema da falta de adesão ao tratamento com insulina. Quando perguntados sobre as perspectivas de tratamento e o controle do diabetes, 90% dos brasileiros portadores da doença e que já fazem uso da terapia com insulina desejam outra forma de administração que não a injetável.

Diante das constatações do Optimize em relação ao controle do diabetes e da previsão da Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) de que haverá em 2030 cerca de 366 milhões de diabéticos no mundo, o Relatório Consensual propõe ações para impedir o crescimento da doença. Entre elas estão:

• Reforçar a conscientização pública e do paciente sobre a gravidade do diabetes, a importância de seu controle e do início imediato do tratamento com insulina, quando prescrito pelo médico;
• Incrementar a educação e os conhecimentos dos profissionais de saúde sobre a insulina e as barreiras de adesão ao tratamento, para que possam transmitir aos pacientes a importância do controle dos níveis de glicose no sangue;
• Ressaltar junto às autoridades governamentais de saúde os altos custos diretos das complicações da doença, estimados em US$ 286 bilhões por ano em todo o mundo;
• Descobrir e divulgar novas formas de administração de insulina para aumentar a adesão ao tratamento.

Além de ser a quarta causa de morte no mundo, o diabetes é responsável por sérias complicações como cegueira, amputação, ataque cardíaco e dano aos nervos quando não controlado. No Brasil, o diabetes atinge cerca de 11 milhões de pessoas e no mundo são aproximadamente 230 milhões.

 
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