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12.09.06

Estudo nacional avalia a dor em
profissionais de saúde pública

 

As Doenças Osteo-musculares Relacionadas ao Trabalho (DORT) constituem um problema de saúde pública e geram custos à sociedade, tanto no âmbito empresarial quanto no governamental, dando origem a despesas com seguros previdenciários, pensões, além de perda de dias de trabalho, afastamentos e queda na produtividade. Segundo o Instituto Nacional de Prevenção das DORT, 310 mil trabalhadores são portadores de DORT, ou seja, 6% da população empregada, gerando gasto anual de R$ 12,5 bilhões. Para avaliar esses distúrbios e sua relação com o estresse em profissionais da área de saúde foi realizado, este ano, o estudo Prevalência de Síndromes Dolorosas Osteo-Musculares em Trabalhadores de Unidades Básicas de Saúde (UBS), orientado pela Dra. Evelin Goldenberg, mestre e doutora em reumatologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – Escola Paulista de Medicina, coordenadora do curso de pós-graduação em Reumatologia do Hospital Albert Einstein.

A pesquisa analisou médicos, enfermeiras, agentes de saúde, auxiliares de serviços gerais, porteiros, recepcionistas, atendentes e auxiliares administrativos, funcionários de Unidades Básicas de Saúde (UBS) de dez bairros da região do Campo Limpo, periferia da zona sul de São Paulo. De um total de 540 funcionários estudados (472 mulheres e 68 homens), 54,26% apresentavam sintomas dolorosos, sendo 56,57% das mulheres e 38,24% dos homens. Os resultados mostraram que todos os indivíduos com quadro de dor apresentavam estresse, fator que aumentou em 4,19 vezes a chance de manifestação do problema. O grau de escolaridade também influiu na ocorrência de dor osteo-articular: a prevalência foi de 68,37% dentre os trabalhadores com ensino fundamental; 44,83% dos indivíduos com ensino médio e 53,96% daqueles com formação superior. Além de dor, foram relatados outros problemas como depressão, fadiga, dificuldade de concentração, falta de apetite, transtornos de sono e ansiedade.

Os agentes de saúde apresentaram duas vezes mais chance de dor que os demais profissionais das UBS. “Esse resultado pode ser explicado pelo fato de esses funcionários vivenciarem um contato intenso com a difícil realidade das famílias dos bairros dessa região, já que seu trabalho consiste em visitar os domicílios dos pacientes para prestar assistência e orientação, o que certamente gera grande estresse”, justifica a Dra. Evelin. A pesquisa foi realizada por pós-graduandos em Reumatologia Ocupacional do Hospital Israelita Albert Einstein e apresentada no Departamento de Medicina do Trabalho da instituição.

Para a realização do estudo, foram aplicados os questionários Prevalence of Pain Syndromes in the General Population, e o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de LIPP (ISSL), levando-se em conta variáveis como estresse, sexo, hipertensão e dislipidemia (alterações nos níveis de colesterol e triglicérides). Houve diferença estatística no uso de medicamentos, número de sessões de fisioterapia realizadas e número de dias de trabalho perdidos entre os grupos com dor crônica ou aguda quando comparados àquele sem dor, gerando custos diretos e indiretos à sociedade. Quanto à necessidade de hospitalização, os grupos com dor não geraram mais internações que o grupo sem sintomas.

 

 
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