| As Doenças Osteo-musculares Relacionadas ao Trabalho
(DORT) constituem um problema de saúde pública e geram custos à
sociedade, tanto no âmbito empresarial quanto no governamental, dando origem
a despesas com seguros previdenciários, pensões, além de
perda de dias de trabalho, afastamentos e queda na produtividade. Segundo o Instituto
Nacional de Prevenção das DORT, 310 mil trabalhadores são
portadores de DORT, ou seja, 6% da população empregada, gerando
gasto anual de R$ 12,5 bilhões. Para avaliar esses distúrbios e
sua relação com o estresse em profissionais da área de saúde
foi realizado, este ano, o estudo Prevalência de Síndromes Dolorosas
Osteo-Musculares em Trabalhadores de Unidades Básicas de Saúde (UBS),
orientado pela Dra. Evelin Goldenberg, mestre e doutora em reumatologia pela Universidade
Federal de São Paulo (UNIFESP) – Escola Paulista de Medicina, coordenadora
do curso de pós-graduação em Reumatologia do Hospital Albert
Einstein.
A pesquisa analisou médicos, enfermeiras, agentes de saúde, auxiliares
de serviços gerais, porteiros, recepcionistas, atendentes e auxiliares
administrativos, funcionários de Unidades Básicas de Saúde
(UBS) de dez bairros da região do Campo Limpo, periferia da zona sul de
São Paulo. De um total de 540 funcionários estudados (472 mulheres
e 68 homens), 54,26% apresentavam sintomas dolorosos, sendo 56,57% das mulheres
e 38,24% dos homens. Os resultados mostraram que todos os indivíduos com
quadro de dor apresentavam estresse, fator que aumentou em 4,19 vezes a chance
de manifestação do problema. O grau de escolaridade também
influiu na ocorrência de dor osteo-articular: a prevalência foi de
68,37% dentre os trabalhadores com ensino fundamental; 44,83% dos indivíduos
com ensino médio e 53,96% daqueles com formação superior.
Além de dor, foram relatados outros problemas como depressão, fadiga,
dificuldade de concentração, falta de apetite, transtornos de sono
e ansiedade.
Os agentes de saúde apresentaram duas vezes mais chance de dor que os
demais profissionais das UBS. “Esse resultado pode ser explicado pelo fato
de esses funcionários vivenciarem um contato intenso com a difícil
realidade das famílias dos bairros dessa região, já que seu
trabalho consiste em visitar os domicílios dos pacientes para prestar assistência
e orientação, o que certamente gera grande estresse”, justifica
a Dra. Evelin. A pesquisa foi realizada por pós-graduandos em Reumatologia
Ocupacional do Hospital Israelita Albert Einstein e apresentada no Departamento
de Medicina do Trabalho da instituição.
Para a realização do estudo, foram aplicados os questionários
Prevalence of Pain Syndromes in the General Population, e o Inventário
de Sintomas de Stress para Adultos de LIPP (ISSL), levando-se em conta variáveis
como estresse, sexo, hipertensão e dislipidemia (alterações
nos níveis de colesterol e triglicérides). Houve diferença
estatística no uso de medicamentos, número de sessões de
fisioterapia realizadas e número de dias de trabalho perdidos entre os
grupos com dor crônica ou aguda quando comparados àquele sem dor,
gerando custos diretos e indiretos à sociedade. Quanto à necessidade
de hospitalização, os grupos com dor não geraram mais internações
que o grupo sem sintomas.
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