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05.09.06

Estudo revela: idosos brasileiros
têm níveis inadequados de vitamina D

 

O mais recente estudo realizado pela disciplina de Geriatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), intitulado Epidoso (Estudo Epidemiológico em Idosos) avaliou 250 pessoas, com 65 anos de idade ou mais, todas residentes em São Paulo, para verificar a influência da radiação solar na produção de vitamina D.

De uma forma geral, o estudo constatou que aproximadamente 95% da população estudada demonstraram alguma carência de vitamina D, enquanto apenas 4,6% das pessoas têm níveis ideais desta substância.

A vitamina D é essencial para a construção de ossos fortes e saudáveis e é muito importante para a absorção de cálcio e fósforo no intestino, crescimento, reparação e mineralização óssea, reduzindo a perda óssea e o risco de fraturas em pessoas com osteoporose. Uma vez que a vitamina D não faz parte da dieta habitual dos brasileiros, a principal fonte para a obtenção desta substância é a exposição à luz solar (síntese cutânea).

Durante o estudo, em que foram avaliados 77 homens e 173 mulheres, observou-se que a população idosa fica pouco tempo fora de casa, uma vez que a estrutura de lazer para pessoas na faixa etária acima dos 65 anos é pequena ou quase inexistente. Esse fato favorece o confinamento, menos exposição ao sol e, conseqüentemente, menor síntese cutânea de vitamina D.

A pesquisa Epidoso revelou também que 15,4% da população estudada têm deficiência de vitamina D, 41,9% têm insuficiência da vitamina e 55% apresentam hiperparatiroidismo secundário.

De acordo com a Dra. Marise Lazaretti Castro, professora da Unifesp e diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), diferentemente do que se imaginava, a população idosa brasileira sofre mais com insuficiência e deficiência de vitamina D do que em países que contam com menos radiação solar.

“Isso em muito se deve ao fato da pouca exposição à radiação solar da qual dispõem pessoas residentes em grandes centros urbanos, como São Paulo, e pelo fato de não contarmos com um programa de enriquecimento alimentar para esta vitamina, como existe em vários países do hemisfério Norte”,disse a especialista.

Os resultados desse estudo ressaltam a importância do tratamento com suplementação adequada de vitamina D em mulheres e homens com osteoporose. “A vitamina D tem papel vital na saúde dos ossos, pois sem ela o corpo não absorve cálcio, que é essencial para o desenvolvimento normal e manutenção de ossos fortes e saudáveis”, informa Dra. Marise.


A importância da vitamina D
A vitamina D é um componente fundamental para o desenvolvimento de ossos fortes e para prevenção e tratamento da osteoporose. Estudos mostram que a vitamina D aliada ao cálcio ajuda a reduzir a perda óssea e o risco de fratura em pessoas com osteoporose. Outros dados sugerem que a vitamina D reduz o risco de fraturas em até 20%, e fraturas de quadril, pulso, antebraço ou coluna em até 30%.

A vitamina D é um componente vital para a absorção do cálcio no intestino, favorecendo sua permanência nos ossos. Este tipo de vitamina está presente em apenas um número restrito de alimentos, incluindo gema de ovo, fígado, ostras e alguns peixes oleosos. No entanto, as dietas padrão raramente contêm vitamina D suficiente, o que evidencia a necessidade de um cuidado maior com a alimentação e o uso de suplementos que garantam o nível adequado da vitamina.

Muitos fatores afetam a quantidade de vitamina D produzida na pele, como a exposição à luz solar (principal fonte), as estações do ano, latitude geográfica, hora do dia, quantidade de nuvens, mistura de neblina e fumaça, roupa, filtro solar e pigmentação da pele. Muitas mulheres evitam a exposição ao sol por motivo de saúde ou beleza e acabam limitando a produção de vitamina D. Outro fator que prejudica a absorção da vitamina é o envelhecimento da pele, que torna mais difícil a conversão dos raios solares em vitamina D.

Sobre a osteoporose
A osteoporose é uma condição crônica que aflige aproximadamente 200 milhões de mulheres em todo o mundo. Dados mostram que uma em cada cinco mulheres que sofrem uma fratura de quadril morre dentro de um ano. Além disso, muitos homens idosos também são afetados pela enfermidade.

É possível que as mulheres percam um terço da massa óssea de uma vida inteira durante os primeiros cinco anos após a menopausa, o que aumenta o risco de desenvolver osteoporose e fraturas relacionadas. Fraturas osteoporóticas podem causar deformação, incapacidade e perda da mobilidade, o que pode impedir a mulher de participar de atividades de rotina e torná-la dependente.

 

 
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