| O mais recente estudo realizado pela disciplina de Geriatria
da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), intitulado Epidoso (Estudo
Epidemiológico em Idosos) avaliou 250 pessoas, com 65 anos de idade ou
mais, todas residentes em São Paulo, para verificar a influência
da radiação solar na produção de vitamina D.
De uma forma geral, o estudo constatou que aproximadamente 95% da população
estudada demonstraram alguma carência de vitamina D, enquanto apenas 4,6%
das pessoas têm níveis ideais desta substância.
A vitamina D é essencial para a construção de ossos fortes
e saudáveis e é muito importante para a absorção de
cálcio e fósforo no intestino, crescimento, reparação
e mineralização óssea, reduzindo a perda óssea e o
risco de fraturas em pessoas com osteoporose. Uma vez que a vitamina D não
faz parte da dieta habitual dos brasileiros, a principal fonte para a obtenção
desta substância é a exposição à luz solar (síntese
cutânea).
Durante o estudo, em que foram avaliados 77 homens e 173 mulheres, observou-se
que a população idosa fica pouco tempo fora de casa, uma vez que
a estrutura de lazer para pessoas na faixa etária acima dos 65 anos é
pequena ou quase inexistente. Esse fato favorece o confinamento, menos exposição
ao sol e, conseqüentemente, menor síntese cutânea de vitamina
D.
A pesquisa Epidoso revelou também que 15,4% da população
estudada têm deficiência de vitamina D, 41,9% têm insuficiência
da vitamina e 55% apresentam hiperparatiroidismo secundário.
De acordo com a Dra. Marise Lazaretti Castro, professora da Unifesp e diretora
da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), diferentemente
do que se imaginava, a população idosa brasileira sofre mais com
insuficiência e deficiência de vitamina D do que em países
que contam com menos radiação solar.
“Isso em muito se deve ao fato da pouca exposição à
radiação solar da qual dispõem pessoas residentes em grandes
centros urbanos, como São Paulo, e pelo fato de não contarmos com
um programa de enriquecimento alimentar para esta vitamina, como existe em vários
países do hemisfério Norte”,disse a especialista.
Os resultados desse estudo ressaltam a importância do tratamento com
suplementação adequada de vitamina D em mulheres e homens com osteoporose.
“A vitamina D tem papel vital na saúde dos ossos, pois sem ela o
corpo não absorve cálcio, que é essencial para o desenvolvimento
normal e manutenção de ossos fortes e saudáveis”, informa
Dra. Marise.
A importância da vitamina D
A vitamina D é um componente fundamental para o desenvolvimento de ossos
fortes e para prevenção e tratamento da osteoporose. Estudos mostram
que a vitamina D aliada ao cálcio ajuda a reduzir a perda óssea
e o risco de fratura em pessoas com osteoporose. Outros dados sugerem que a vitamina
D reduz o risco de fraturas em até 20%, e fraturas de quadril, pulso, antebraço
ou coluna em até 30%.
A vitamina D é um componente vital para a absorção do
cálcio no intestino, favorecendo sua permanência nos ossos. Este
tipo de vitamina está presente em apenas um número restrito de alimentos,
incluindo gema de ovo, fígado, ostras e alguns peixes oleosos. No entanto,
as dietas padrão raramente contêm vitamina D suficiente, o que evidencia
a necessidade de um cuidado maior com a alimentação e o uso de suplementos
que garantam o nível adequado da vitamina.
Muitos fatores afetam a quantidade de vitamina D produzida na pele, como a
exposição à luz solar (principal fonte), as estações
do ano, latitude geográfica, hora do dia, quantidade de nuvens, mistura
de neblina e fumaça, roupa, filtro solar e pigmentação da
pele. Muitas mulheres evitam a exposição ao sol por motivo de saúde
ou beleza e acabam limitando a produção de vitamina D. Outro fator
que prejudica a absorção da vitamina é o envelhecimento da
pele, que torna mais difícil a conversão dos raios solares em vitamina
D.
Sobre a osteoporose
A osteoporose é uma condição crônica que aflige aproximadamente
200 milhões de mulheres em todo o mundo. Dados mostram que uma em cada
cinco mulheres que sofrem uma fratura de quadril morre dentro de um ano. Além
disso, muitos homens idosos também são afetados pela enfermidade.
É possível que as mulheres percam um terço da massa óssea
de uma vida inteira durante os primeiros cinco anos após a menopausa, o
que aumenta o risco de desenvolver osteoporose e fraturas relacionadas. Fraturas
osteoporóticas podem causar deformação, incapacidade e perda
da mobilidade, o que pode impedir a mulher de participar de atividades de rotina
e torná-la dependente.
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