| Cada vez mais freqüente, a gravidez na idade avançada
(após 40 anos) ainda é objeto de preocupação entre
os médicos obstetras devido à maior presença de riscos e
complicações materno-fetais.
Em sua tese de doutorado, defendida recentemente na Faculdade de Medicina da
USP, a médica obstetra Tânia Regina Schupp, avaliou o resultado da
gestação em 281 mulheres com 40 anos ou mais, atendidas no Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, entre julho de 1998 e julho
de 2005, e constatou uma incidência de diabetes gestacional em 19,2% das
pacientes.
A pesquisa mostrou ainda a incidência de doença hipertensiva específica
da gestação em 14,6% das mulheres; abortamento espontâneo
em 6% e óbito fetal em 1,4% dos casos. Três recém-nascidos
apresentaram síndrome de Down e seis tiverem outros tipos de malformações.
De acordo com as conclusões do trabalho, a assistência pré-natal
específica é necessária nos casos de gravidez tardia porque
possibilita a detecção das complicações maternas e
a instituição precoce de tratamentos.
Todas as gestantes foram acompanhadas pela autora do estudo no Ambulatório
de Idade Materna Avançada da Clínica Obstétrica do Hospital
das Clínicas. As 281 gestantes tinham idades variando entre 40 e 48 anos.
Vinte e cinco gestantes (9%) apresentavam idade igual ou superior a 45 anos, enquanto
256 (91%), inferior a 45 anos.
Em relação aos antecedentes obstétricos, 34 gestantes
(12,1%) eram primigestas (primeira gestação), enquanto 247 (87,9%)
eram multigestas. Das multigestas, o número de gestações
variou de dois a 12. A via de parto mais freqüente (64,2%) foi a cesárea.
Do total, 75 gestantes (28,9%) tiveram parto normal e 18, por meio de fórcipe
(6,9%). Já 216 gestantes (83,1%) tiveram parto de termo (entre a 37ª
e a 40ª semana); 43 de pré-termo (16,5%); e apenas uma, pós-datismo
(0,4%).
Com relação aos fatores de risco, o estudo concluiu que mulheres
com doença hipertensiva específica da gestação (DHEG)
tiveram maior risco para fetos com baixo peso; história prévia de
hipertensão não foi fator de risco para DHEG; gestantes com DHEG
ou diabetes gestacional não apresentaram risco maior para parto pré-termo.
A obesidade foi o fator de risco para diabetes gestacional; mulheres sem companheiro
e nulíparas (que nunca tiveram parto antes) tiveram maior incidência
de malformações e baixos índices de Apgar (nota que se dá
ao recém-nascido no 1º e 5º minutos de vida); mulheres com idade
materna muito avançada (maior ou igual a 45 anos) apresentaram incidência
maior de óbito fetal e de índice de Apgar baixo.
Idade materna avançada é fenômeno mundial
No Brasil, segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos
Vivos, do Ministério da Saúde, houve aumento na proporção
de nascimentos em mães com 40 anos ou mais nos últimos anos. Em
1996, a incidência era de 1,75% de nascidos vivos e passou, em 2002, para
1,95%. Somente no Estado de São Paulo, no mesmo período, o aumento
foi de 1,67% para 2,03%. Em países desenvolvidos, o fenômeno é
semelhante. No Canadá, por exemplo, a taxa de gestantes com 40 anos ou
mais aumentou de 0,6%, em 1982, para 2,6%, em 2002.
Segundo a médica obstetra, Dra. Tânia Regina Schupp, a mulher que
atualmente opta por engravidar, após os 40 anos, necessita conhecer plenamente
os fatores associados a maior risco materno e perinatal, de modo que possa buscar
assistência médica adequada e especializada, se necessário,
e planejar o nascimento. “Existe ainda na literatura médica controvérsia
quanto aos reais riscos materno-fetais dessas gestações, mas a maioria
dos autores concorda que se trata de gestação de risco, necessitando
de cuidados pré-natais específicos”, afirma a especialista.
Dra. Tânia Schupp cita como exemplos de complicação materna,
nos casos de gestações tardias, maior ganho de peso, obesidade,
diabetes, hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia
e miomas. “Para o feto e o recém-nascido, os riscos são de
ocorrência de anormalidades cromossômicas, abortamento espontâneo,
baixo peso ao nascer, sofrimento fetal, macrossomia, internação
em UTI e óbito neonatal”.
Nas gestantes em idade avançada, de acordo com a médica, ocorre
ainda aumento de complicações obstétricas, tais como trabalho
de parto prematuro, hemorragia anteparto, trabalho de parto prolongado, gestação
múltipla, apresentações anômalas, placenta prévia,
entre outros.
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