| O novo estudo global voltado à epidemiologia da
constipação foi apresentado recentemente durante o Congresso da
Semana de Doenças Digestivas, em Los Angeles, Estados Unidos.
A pesquisa traz novos conhecimentos sobre a incidência da constipação
(ou prisão de ventre) e revela que muitas pessoas que sofrem do mal não
usam os tratamentos apropriados. O levantamento epidemiológico, feito entre
abril e maio de 2005 e que explorou a duração e a freqüência
da constipação em 13.879 participantes de quatro continentes –
Américas, Europa, Ásia e Oceania –, revelou que 12% da população
mundial se considera constipado.
Este cenário varia conforme a região: as pessoas nas Américas
e na Ásia-Pacífico sofrem duas vezes mais que os europeus: nas Américas
e na Ásia-Pacífíco são 17,3% enquanto na Europa são
8,7%. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, 20% dos
brasileiros, na sua maioria mulheres, sofrem do mal.
A pesquisa também destacou que um quarto da população que
sofre de constipação não trata os sintomas; eles preferem
esperar que o problema vá embora sozinho. O Professor Carmelo Scarpignato,
um dos autores do estudo, comentou que as pessoas que sofrem de constipação
normalmente são mal orientadas quanto ao melhor tratamento, como a ingestão
de qualquer laxante.
Segundo ele, das pessoas que sofrem de constipação e se tratam,
menos de um terço realmente fazem uso de laxantes, apesar de um estudo
publicado recentemente (Mitos e Conceitos Errados Sobre Constipação
Crônica, publicado no The American Journal of Gastroenterology, no final
de 2005) ter mostrado que os laxantes são seguros e eficazes. Na região
da Ásia-Pacifico, por exemplo, onde há maior freqüência
de constipação (17%), menos de dois em 10 pacientes dos que sofrem
com o mal utilizam laxantes. “Mesmo nas Américas, onde o uso desse
tipo de tratamento é maior, menos de quatro em 10 pacientes usam esse tipo
de medicamento”, disse Scarpignato.
O professor de medicina da Escola de Medicina e Saúde Pública da
Universidade de Wisconsin (EUA), Dr. Arnold Wald, autor da pesquisa, declarou
que as pessoas que sofrem de constipação são altamente influenciadas
e mal orientadas pelos mitos em torno do problema e isso é crítico
para corrigir e mudar essas crenças equivocadas.
“Este levantamento revela que, em média, 40% dos constipados tentam
o tratamento mudando os hábitos alimentares, apesar de pesquisas mostrarem
que na verdade dieta e estilo de vida não são necessariamente responsáveis
pela ocorrência da constipação, e a crescente ingestão
de fibras e líquidos definitivamente não trará alívio
efetivo”, explicou Dr Wald.
O especialista revelou ainda que a nova evidência da pesquisa mostra que
ainda existe uma carência no tratamento da constipação. “É
nossa responsabilidade tornar as pessoas mais conscientes a respeito, e oferecer
as melhores soluções para a constipação, dando conhecimento
aos fatos e corrigindo esses mal-entendidos”.
De acordo com Dr. Wald, a pesquisa epidemiológica “Omnibus Boehringer
Ingelheim” vem agregar valor e promover as investigações,
especialmente para os que são acometidos com a constipação
(os que sofrem no mínimo por dois anos ou uma vez a cada dois ou três
meses), que objetivam promover um quadro completo da situação desse
grupo de pessoas. Os resultados completos dessa pioneira investigação
deverão ser apresentados na 14ª Semana de Gastroenterologia da União
Européia, em Berlim, na Alemanha, entre os próximos dias 21 e 25
de outubro.
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