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08.08.06

Estudo traz novas informações
sobre a incidência global de constipação

 

O novo estudo global voltado à epidemiologia da constipação foi apresentado recentemente durante o Congresso da Semana de Doenças Digestivas, em Los Angeles, Estados Unidos.

A pesquisa traz novos conhecimentos sobre a incidência da constipação (ou prisão de ventre) e revela que muitas pessoas que sofrem do mal não usam os tratamentos apropriados. O levantamento epidemiológico, feito entre abril e maio de 2005 e que explorou a duração e a freqüência da constipação em 13.879 participantes de quatro continentes – Américas, Europa, Ásia e Oceania –, revelou que 12% da população mundial se considera constipado.

Este cenário varia conforme a região: as pessoas nas Américas e na Ásia-Pacífico sofrem duas vezes mais que os europeus: nas Américas e na Ásia-Pacífíco são 17,3% enquanto na Europa são 8,7%. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, 20% dos brasileiros, na sua maioria mulheres, sofrem do mal.

A pesquisa também destacou que um quarto da população que sofre de constipação não trata os sintomas; eles preferem esperar que o problema vá embora sozinho. O Professor Carmelo Scarpignato, um dos autores do estudo, comentou que as pessoas que sofrem de constipação normalmente são mal orientadas quanto ao melhor tratamento, como a ingestão de qualquer laxante.

Segundo ele, das pessoas que sofrem de constipação e se tratam, menos de um terço realmente fazem uso de laxantes, apesar de um estudo publicado recentemente (Mitos e Conceitos Errados Sobre Constipação Crônica, publicado no The American Journal of Gastroenterology, no final de 2005) ter mostrado que os laxantes são seguros e eficazes. Na região da Ásia-Pacifico, por exemplo, onde há maior freqüência de constipação (17%), menos de dois em 10 pacientes dos que sofrem com o mal utilizam laxantes. “Mesmo nas Américas, onde o uso desse tipo de tratamento é maior, menos de quatro em 10 pacientes usam esse tipo de medicamento”, disse Scarpignato.

O professor de medicina da Escola de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin (EUA), Dr. Arnold Wald, autor da pesquisa, declarou que as pessoas que sofrem de constipação são altamente influenciadas e mal orientadas pelos mitos em torno do problema e isso é crítico para corrigir e mudar essas crenças equivocadas.

“Este levantamento revela que, em média, 40% dos constipados tentam o tratamento mudando os hábitos alimentares, apesar de pesquisas mostrarem que na verdade dieta e estilo de vida não são necessariamente responsáveis pela ocorrência da constipação, e a crescente ingestão de fibras e líquidos definitivamente não trará alívio efetivo”, explicou Dr Wald.

O especialista revelou ainda que a nova evidência da pesquisa mostra que ainda existe uma carência no tratamento da constipação. “É nossa responsabilidade tornar as pessoas mais conscientes a respeito, e oferecer as melhores soluções para a constipação, dando conhecimento aos fatos e corrigindo esses mal-entendidos”.

De acordo com Dr. Wald, a pesquisa epidemiológica “Omnibus Boehringer Ingelheim” vem agregar valor e promover as investigações, especialmente para os que são acometidos com a constipação (os que sofrem no mínimo por dois anos ou uma vez a cada dois ou três meses), que objetivam promover um quadro completo da situação desse grupo de pessoas. Os resultados completos dessa pioneira investigação deverão ser apresentados na 14ª Semana de Gastroenterologia da União Européia, em Berlim, na Alemanha, entre os próximos dias 21 e 25 de outubro.


 
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