| O Ministério da Saúde inaugurou recentemente,
no Instituto Nacional de Tráumato-Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro,
o Centro de Pesquisa em Terapia Celular e Bioengenharia Ortopédica (CTCel),
que investirá em estudos relacionados à regeneração
óssea com utilização de células-tronco. A implantação
do CTCel tem como objetivo proporcionar o desenvolvimento de um núcleo
de pesquisa laboratorial que possa apoiar a pesquisa clínica em tráumato-ortopedia.
O CTCel atuará, em especial, no desenvolvimento de novas tecnologias e
novos protocolos em terapias celulares.
Parcerias com instituições tradicionais de pesquisa, como a Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas
(CBPF), permitirão ainda que se amplie o conhecimento sobre os mecanismos
celulares e moleculares relacionados às lesões do aparelho locomotor.
As terapias celulares se apóiam no reparo biológico dos tecidos
e compõem a base da moderna medicina regenerativa. Nesse tipo de procedimento,
as células são obtidas do próprio paciente (terapia com uso
de célula-tronco adulta), diminuindo os riscos de infecção
e excluindo o processo de rejeição, comuns nos transplantes. Algumas
doenças ortopédicas, que até o momento constituem um problema
de difícil solução clínica, poderão ser tratadas
mais satisfatoriamente e de forma definitiva através dessas novas abordagens.
Exemplo disso é a utilização da terapia celular em associação
a tratamentos cirúrgicos de trocas de prótese de quadril, o que
acarretará maior tempo de vida útil do material ortopédico,
que, atualmente, é de cerca de 15 anos. As trocas são necessárias
porque, devido a desgaste, infecções, posicionamento inadequado
ou má qualidade do material, as próteses sofrem afrouxamento.
O mesmo tipo de terapia pode ser aplicado no tratamento de pseudartroses e
retardos de consolidação, complicações freqüentes
em casos de fratura exposta e traumatismos graves. A pseudartrose pode ser causada
por falha na estabilização da fratura, infecção, lesão
dos tecidos em torno da fratura ou, ainda, perda óssea extensa devido ao
trauma.
A terapia celular também pode beneficiar jovens indivíduos com
osteonecrose, doença causada, entre outras coisas, por anemia falciforme,
alcoolismo ou uso de corticóides, especialmente em pacientes transplantados.
Altamente incapacitante, a osteonecrose acomete diversas articulações,
dentre as quais o quadril, onde a falta de irrigação sanguínea
na cabeça do fêmur gera deformidade óssea e torna qualquer
movimento doloroso. Nesta patologia, a terapia celular teria como principal objetivo
formar novos vasos sanguíneos, que permitirão revitalizar o tecido
ósseo.
A hérnia de disco - patologia que causa dor incapacitante devido à
lesão neurológica por compressão de estruturas nervosas -
ainda não tem tratamento direcionado para reconstituição
do tecido lesionado. O fato causa, invariavelmente, degeneração
da coluna vertebral. A terapia de reconstituição do disco com as
células do próprio paciente, no entanto, poderá recuperar
a estrutura biológica do tecido, evitando a necessidade de novos procedimentos
cirúrgicos e a instalação de lesões neurológicas
tardias.
Os avanços nos estudos experimentais realizados no CTCel do Into permitirão
que, no futuro, outras patologias, como os traumatismos da medula espinhal, lesões
de nervos periféricos, tendões e menisco, também possam se
beneficiar do tratamento com células.
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