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18.07.06

Perfil da saúde dos executivos de São Paulo

 

Estudo inédito realizado pelo Albert Einstein Medicina Diagnóstica com 4 mil pessoas entre 2004 e 2006, principalmente executivos de São Paulo, revela uma alta insatisfação com a qualidade de vida. Do total de participantes, 70% consideram levar uma vida estressante e 72% afirmam ter ansiedade. Os fatores de riscos também estão presentes, sendo que 76% são sedentários,13% são hipertensos e 20% são tabagistas. Os resultados apontam ainda que as mulheres estão se cuidando melhor do que os homens. Enquanto 71% dos homens estão com sobrepeso ou são obesos, apenas 26% das mulheres estão acima do peso adequado. O público feminino também apresenta melhores índices de níveis de colesterol, percentagem de gordura corporal e relação cintura-quadril.
 
Todos os pacientes são participantes do Programa de Revisão Continuada de Saúde, conceito baseado no diagnóstico precoce que visa propor metas de prevenção. Cada paciente recebe um plano de ação individual e, ao longo de um ano, poderá ser acompanhado por um grupo de diferentes especialistas como fisioterapeutas, nutricionistas, enfermeiras e cardiologistas que o estimulam a cumprir os objetivos traçados. Implementado na unidade exclusiva de check-up do Albert Einstein com foco especial para executivos, o Programa permitiu traçar um perfil geral da saúde dos executivos da capital paulista, uma vez que 70% ocupam cargos de gerência, 20% de diretoria e 10% de presidência de grandes empresas. Do total, 81% são homens e 19% são mulheres.
 
“A inovação tecnológica na medicina ampliou a expectativa de vida da população e trouxe um novo desafio à saúde, que é o de garantir qualidade de vida nos anos adicionais conquistados. Para atingir esse objetivo, a prevenção e o diagnóstico precoce ganharam ainda mais importância, principalmente em razão da prevalência de doenças crônicas”, explica Dr. José Antonio Maluf de Carvalho, coordenador do estudo. “Com o levantamento realizado a partir do banco de dados do Programa de Revisão Continuada de Saúde do Albert Einstein, que inclui não só avaliação de alterações físicas, mas também mentais, podemos conhecer detalhadamente o perfil epidemiológico dos pacientes e atuar diretamente na principal causa das doenças, que são os hábitos e o estilo de vida das pessoas”, conclui.

Hipertensão, tabagismo, estresse, ansiedade e sedentarismo
Entre os fatores de risco, o sedentarismo é o que mais se destaca. Do total de pacientes, 76% são sedentários ou pouco ativos, isto é, não cumprem as metas de atividade física preconizadas internacionalmente – 30 minutos diários de atividade física. Pessoas que passam de sedentárias para pouco ativas – que realizam pelo menos 10 minutos de exercício sem atingir a recomendação internacional - reduzem em 40% os riscos de um evento cardiovascular.
 
A hipertensão arterial, que aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral,insuficiência cardíaca, insuficiência renal e que também compromete a visão, acomete 13% dos participantes.
 
Outro importante fator de risco cardiovascular, o tabagismo, foi verificado em 20% dos pacientes do estudo. Sabe-se que parar de fumar reduz em 34% as chances de ter um infarto.
 
Em relação à qualidade de vida, cerca de 76% consideram levar uma vida estressante e grande parcela afirma ter ansiedade. Apesar disso, apenas 25% apresentam sinais de estresse quando avaliados objetivamente. Fator mais preocupante é que dentre os que não se consideram estressados, 36% apresentam sinais e, possivelmente, não tomam as medidas de controle necessárias. Essas discrepâncias entre a percepção subjetiva e a avaliação objetiva devem-se provavelmente a diferenças de conceitos sobre o que seja estresse.
 
Durante o estresse, estado de tensão que causa desequilíbrios físicos e psíquicos, a pessoa costuma experimentar ansiedade, sentimento natural que pode ser favorável quando em intensidade tolerável. A ansiedade torna-se uma doença quando sua intensidade e duração interferem no dia-a-dia, na capacidade de tomar decisões a sintomas físicos como palpitações
 
Colesterol
Em relação ao colesterol, em geral, as mulheres estão mais cuidadosas do que os homens. A maioria delas (76%) está com níveis ideais de LDL (abaixo de 130 mg/dL), o chamado “colesterol ruim”, contra apenas 59% dos homens. O LDL é uma lipoproteína que pode se depositar nas artérias e provocar o entupimento. Um fator agravante é que um maior número de homens (12%) estão com LDL superior a 160 mg/dL, contra apenas 7% das mulheres.
 
Conhecido como “colesterol bom”, o HDL funciona como um sistema de limpeza da árvore arterial, impedindo o depósito de gordura em suas paredes, diminuindo a formação da placa de gordura, e consequentemente, a incidência de eventos cardiovasculares. 91% das mulheres estão com níveis adequados de HDL (superior a 40 mg/dL), enquanto 67% dos homens estão nessa faixa.

Obesidade, Percentual Gordura Corporal, Relação Cintura-Quadril
Em relação à obesidade, os homens também apresentam quadro mais preocupante, com 71% com sobrepeso ou obesidade - (Índice de Massa Corpórea superior a 25). Por outro lado, apenas 26% das mulheres estão com IMC acima do ideal. Quanto maior o IMC, maior o risco de desenvolvimento de diabetes, problemas cardiovasculares, problemas articulares, apnéia obstrutiva do sono, depressão e câncer.
 
Analisando as faixas etárias, a partir do percentual de gordura corporal, verifica-se que entre os homens, há um grande número de obesos em todas as idades: 55% dos homens entre 18 a 39 anos, 44% entre 40 e 59 anos e 54% com mais de 60 anos estão acima do peso.
 
Em relação às mulheres, a maior incidência de obesidade está concentrada na faixa etária acima de 60 anos (19% das mulheres). Entre 40 e 59 anos a porcentagem cai para 8% e entre 18 e 39 anos esse número é ainda mais baixo, apenas 3%.
 
A obesidade apresenta ainda algumas características que são importantes para a análise de seus riscos, como o segmento corporal, no qual há predominância da deposição de gordura.  Por exemplo, a Obesidade Andróide ou Troncular (ou Centrípeta) está associada a maior deposição de gordura visceral e relacionada intensamente com o alto risco de doenças metabólicas e cardiovasculares. Na obesidade Ginecóide, a deposição de gordura é predominante na região do quadril e está associada a um risco mais alto de artrose e varizes. Por esse motivo, foi criado um índice denominado relação cintura-quadril para a identificação dos riscos. No estudo verificou-se que 83% dos homens possuem riscos metabólicos (índice cintura-quadril igual ou acima de 0,9). No público feminino, 30% das mulheres possuem riscos metabólicos (índice cintura-quadril igual ou superior a 0,85).

Síndrome Metabólica
Diante desse quadro, constatou-se que 16% do total de participantes apresentaram diagnóstico positivo para Síndrome Metabólica, termo que descreve um conjunto de fatores de risco no metabolismo que se manifestam em uma pessoa e aumentam suas chances de desenvolver doenças cardíacas, derrames e diabetes. O diagnóstico é dado quando três ou mais desses fatores de risco estiverem presentes numa mesma pessoa, que são grande quantidade de gordura abdominal (em homens cintura com mais de 102cm e nas mulheres maior que 88cm), baixo HDL, triglicérides elevado, pressão sanguínea alta e glicose elevada ( 100 - mg/dL ou superior).
  
Triglicérides
Altos níveis de triglicérides, um dos componentes gordurosos das lipoproteínas, estão associados à doença das coronárias. Na análise feita pelo Centro de Medicina Preventiva do Hospital Albert Einstein, 89% das mulheres possuem níveis de triglicérides considerados ideais (abaixo de 150 mg/dL). Apenas 60% dos homens estão com nível ideal de triglicérides.

Teste Ergométrico e Esteatose Hepática
Do total de pacientes, 38% apresentaram alterações nos testes ergométricos, que avaliam a condição de perfusão do músculo do coração, a pressão arterial e a freqüência cardíaca antes, durante e depois do exame do exercício físico, com objetivo de avaliar o comportamento do sistema cardiovascular frente aos esforços físicos. As principais constatações foram 24% arritmia, 10% isquemia – o que significa redução do aporte sanguíneo à musculatura cardíaca - e 4% elevação da pressão arterial.
 
26% apresentaram esteatose hepática (infiltração de gordura no fígado), que podem indicar a incidência, desde lesões simples até inflamações. A esteatose hepática está associada com o sobrepeso e a obesidade. Esta é a principal razão para a alta prevalência da esteatose na nossa população de executivos. Deve-se enfatizar que a esteatose reduz-se ou mesmo desaparece com a redução adequada de peso.

 
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