| Recentemente, o instituto NCCAM (National Center for Complementary and Alternative Medicine), órgão ligado NIH (National Institutes of Health), similar ao Ministério da Saúde do Brasil, publicou um estudo com a posição oficial da entidade sobre a meditação. A técnica foi classificada como um procedimento de saúde. Para formular a tese, o órgão consultou diversos artigos médicos no mundo e incluiu o trabalho de pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) que define operacionalmente a meditação.
O dr. Roberto Cardoso, autor do livro Medicina e meditação – Um médico ensina a meditar (MG Editores), é um dos responsáveis pelo artigo da Unifesp. “É um ganho memorável para um grupo latino que consegue cunhar um artigo conceitual em saúde. Esse estudo deve nortear o conceito de meditação em novos trabalhos sobre o tema no futuro”, afirma. Para Cardoso, a meditação começa a trilhar os passos da acupuntura no sentido de se tornar um recurso terapêutico reconhecido pela classe médica. Desde 1979, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estimula o uso da acupuntura no mundo.
Em sua terceira visita ao Brasil, em abril deste ano, o líder espiritual tibetano Tenzin Gyatso, o dalai-lama, defendeu mais pesquisas sobre o uso da meditação na saúde. Durante seminário no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo, ele falou sobre compaixão, ciência e espiritualidade a um público de quase 4 mil pessoas, entre elas médicos e professores.
“Pesquisas investigam qual parte do cérebro é ativada quando se faz meditação unidirecionada, meditação baseada na compaixão ou meditação com ausência de pensamentos. Os neurologistas têm descoberto conexões interessantes entre esses diferentes estados mentais”, disse o dalai-lama.
Em novembro do ano passado, em Washington, dalai-lama abriu o mais prestigioso congresso de neurocientistas do mundo, o Neuroscience. Diante de 14 mil pesquisadores do cérebro, ele discorreu sobre as práticas de meditação tibetana e suas virtudes terapêuticas.
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