| Os sintomas iniciais da artrite reumatóide (doença
auto-imune, que ataca e destrói as articulações) podem ser
confundidos com outras formas de artrite. Entretanto, a demora no diagnóstico
correto pode aumentar a incapacidade do paciente que, em poucos anos, pode não
mais conseguir abotoar uma simples camisa. Os especialistas alertam (incluindo
a classe médica não especializada) sobre a importância do
diagnóstico precoce e, conseqüentemente, a adoção de
um tratamento inicial adequado, que iniba a progressão da doença.
A artrite reumatóide é uma doença crônica, que ataca
e destrói as articulações e afeta cerca de 1% da população
– principalmente mulheres ainda em idade produtiva. Altamente incapacitante
– que, no princípio, pode ser confundida com outras formas de artrite
-, a artrite reumatóide atualmente é uma doença tratável,
graças ao desenvolvimento de medicamentos biológicos (como o anticorpo
totalmente humano conhecido como adalimumabe), que podem impedir a progressão
da doença. Entretanto, é fundamental o diagnóstico rápido
da doença, para que ocorram menos danos nas articulações.
O Dr. Ricardo Xavier, Professor de Reumatologia da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul e doutor em imunologia, pela Universidade de Shimane, no Japão,
explica que muitas vezes, o paciente de artrite reumatóide sente dores
nas articulações e trata como uma doença ortopédica
ou simples inflamação. “Receber o diagnóstico da artrite
reumatóide em sua fase inicial, cerca de 6 a 12 semanas após desencadeada
a doença, pode ser a diferença entre a incapacitação
e uma vida normal", alertou o médico.
Segundo o especialista, atualmente existem exames de sangue e radiológicos
que permitem o diagnóstico nas primeiras 12 semanas, quando então
podemos iniciar o tratamento. “Entretanto, em alguns pacientes, mesmo o
exame de sangue (fator reumatóide) não permite o diagnóstico
preciso. O paciente com dores nas articulações deve ser encaminhado
a um médico especializado, para acompanhá-lo de perto: quanto mais
cedo tratar corretamente a doença, melhor será a resposta".
Pesquisas médicas concluíram também que sem o tratamento
adequado, a perspectiva a longo prazo para pessoas com artrite reumatóide
é desanimadora: nos dois primeiros anos da doença, o paciente já
apresenta uma incapacitação moderada (nesta etapa, 70% dos pacientes
já apresentam destruição das articulações visível
em exames de raios – X); em 10 anos, incapacitação grave.
Sabe-se também que a expectativa média da vida de uma pessoa com
artrite reumatóide pode ser diminuída de três a sete anos;
pacientes com a doença em forma grave podem morrer 10 a 15 anos mais cedo
que o esperado.
|