| A análise do estudo Prosper (The Prospective
Study of Pravastatin in the Elderly at Risk) divulgada na edição
de novembro/2005 da revista Circulation, da American Heart Association, revelou
que os idosos devem dar mais atenção ao nível do HDL-C, o
“bom colesterol.
Segundo a análise, o nível de HDL-C revelou-se mais influente
na prevenção de eventos cardiovasculares graves em pessoas com mais
de 70 anos do que o de LDL-C, ou "mau colesterol".
O médico cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de São Paulo,
Dr. Jairo Lins Borges, explica que cerca de 80% dos infartos acontecem entre pessoas
com mais de 60 anos. “Dados do estudo PROCAM (Prospective Cardiovascular
Mhnster study), então há que se preocupar com a elevação
das taxas de HDL em pacientes nessa faixa etária, para se evitar eventos
cardiovasculares como infarto do miocárdio, derrame cerebral ou morte súbita”,
disse.
Esta é uma das pesquisas que nos últimos anos tem indicado uma nova
tendência para os estudos e tratamentos do colesterol. Outros estudos, como
o HPS (Heart Protection Study Collaborative Group, publicado na Lancet
em 2002), o PPP (Prospective Pravastatin Pooling Project Investigators Group,
Circulation, 2000) e o WOSCOPS (West of Scotland Coronary Prevention
Study Group, Circulation, 1998) mostraram a relação entre níveis
baixos de HDL-C e o aumento de risco coronário.
As pesquisas nessa área são desenvolvidas desde a década
de 1970, sempre com resultados relevantes sobre o problema, e os dados recentes
mostram que as atenções devem se voltar ainda mais para o bom colesterol.
No caso do colesterol, ele é usado na formação de membranas
celulares, além de ser essencial para o funcionamento do cérebro
e hormônios. Ele é formado por duas frações básicas:
o LDL-C e o HDL-C. O LDL-C (sigla em inglês para lipoproteína de
baixa densidade) é responsável pelo transporte do colesterol.
Segundo Dr. Jairo, em altos níveis, o colesterol se oxida e é
depositado nas paredes das artérias, formando 'placas de aterosclerose'
que podem se romper e causar o entupimento de artérias. “A função
do HDL-C (sigla em inglês para lipoproteína de alta densidade) é
retirar o excesso de colesterol das células para que o fígado possa
eliminá-lo”, disse.
O médico explica também que desde 1985, quando os ganhadores do
Prêmio Nobel de Medicina, Michael S. Brown e Joseph Goldstein mostraram
a importância do combate ao mau colesterol, o foco do tratamento era a diminuição
do LDL-C, e as pesquisas recentes revelam, no entanto, uma necessidade crescente
em aumentar as taxas de HDL, visto que, para cada aumento de um miligrama de HDL-C,
o risco de desenvolver doenças cardiovasculares cai de 2% a 3%. O efeito
protetor do bom colesterol é ainda mais eficiente em pacientes com taxas
baixas de HDL-C e diabéticos, de acordo com os estudos Helsinki, publicado
no The Journal of the American Medical Association em 1988, e VI-HAT
(Veterans Affairs High-density lipoprotein Intervention Trial), do Archives
of Internal Medicine de 2002; respectivamente.
Tendo em vista os resultados desses estudos, parte da classe médica já
vem mudando sua prática clínica, objetivando o aumento das taxas
de HDL-C, além de insistir na diminuição do LDL-C. Os melhores
resultados são conseguidos com medicamentos à base de niacina (ácido
nicótico) de liberação programada.
Com o medicamento lançado recentemente pela Libbs Farmacêutica,
os especialistas consideram-o mais versátil para o tratamento das dislipidemias,
ou seja, alterações na concentração de colesterol
no sangue. Esse tipo de medicamento pode ser associado ao tratamento tradicional,
que combina exercícios físicos, dieta rica em ácidos graxos
monoinsaturados (como o azeite de oliva) e medicamentos como estatinas e resinas,
que combatem o excesso do mau colesterol.
“A combinação de remédios permite o aproveitamento
de modos diferentes e complementares de se controlar o colesterol, tornando o
tratamento mais eficiente, já que as alterações do colesterol
são variadas e nenhum remédio para tratar colesterol consegue abranger
todas elas”, afirmou o Dr. Jairo Borges.
Dessa forma, surgem novas possibilidades no combate a doenças cardiovasculares,
mas os mesmos cuidados ainda são válidos para evitá-las,
principalmente para aqueles com histórico do problema na família,
sedentários, com alimentação rica em gordura, fumantes e
diabéticos.
A prevenção continua sendo a prática de exercícios
(três a seis vezes por semana), perder a cintura (que representa gordura
abdominal), parar de fumar e ter uma dieta rica em frutas, verduras, legumes,
grãos, azeite de oliva e peixes.
Dicas de como aumentar o bom colesterol
• Faça exercícios aeróbicos regulares, como
caminhada, corrida, ciclismo ou natação, entre outros, de três
a quatro vezes por semana. É necessário gastar cerca de 1,2 mil
calorias semanalmente. A duração do exercício, e não
a intensidade, confere o maior benefício;
• Se estiver acima do peso, e em especial tem gordura abdominal, emagrecer
também ajudará a elevar os níveis de HDL;
• Largue o cigarro. Quem pára de fumar pode aumentar o HDL de
15% a 20%;
• Adote uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos, óleo
de oliva e peixes. A ingestão desses alimentos, assim como o consumo menor
de carboidratos refinados, está fortemente ligada a altos níveis
de HDL;
• Diversos medicamentos podem ajudar a elevar o HDL, mas somente o seu
médico está apto a escolher o medicamento ideal a ser utilizado.
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