| Resultados de uma pesquisa global quantitativa sobre as
necessidades no tratamento da asma revelam que a prevalência da doença
vem crescendo em níveis preocupantes: 50% a cada década. No Brasil,
a asma afeta 11% da população, sendo que 65% são mulheres,
acima dos 40 anos. Principais motivos: falta de um tratamento de manutenção
adequado e falha na comunicação entre médicos e pacientes.
O estudo GAPP (Global Asthma Physician and Patient Survey –
Pesquisa Global sobre Asma entre Médicos e Pacientes), subsidiado pela
ALTANA Pharma e conduzido pela Harris Interactive, foi realizado em 16 países,
entre eles o Brasil – uma das três nações com maior
prevalência da doença no mundo. A pesquisa aponta discrepâncias
nas avaliações dos médicos e pacientes, a respeito dos tratamentos
atuais e às questões relacionadas aos efeitos colaterais, qualidade
de vida e ao tempo dedicado à educação dos pacientes.
A principal barreira para o sucesso no tratamento, segundo o estudo, é
a comunicação entre médicos e pacientes. “A comunicação
entre ambos é essencial na condução do tratamento de doenças
crônicas, como a asma, e a pesquisa GAPP indica que esse diálogo
precisa ser melhorado, em todos os países estudados”, aconselha o
dr. G. Walter Canônica, da Universidade de Gênova, Itália,
e um dos líderes da pesquisa.
“Uma melhor educação dos pacientes e o aparecimento de
novos tratamentos podem incidir sobre alguns tópicos discutidos na pesquisa,
e podem, potencialmente, melhorar os resultados clínicos obtidos até
agora”, destaca o Dr. Carlos E. Baegna-Cagnani, da Universidade Católica
de Córdoba, Córdoba, Argentina, outro líder do estudo.
No mundo, 180 mil pessoas morrem anualmente em decorrência da asma. No
Brasil, a doença provoca cerca de 2 mil óbitos no mesmo período.
Mais da metade, ou 53%, dos pacientes não reconhece que as crises de asma,
mesmo em pacientes com asma leve, podem ser fatais. “A maioria das mortes
poderia ser evitada se o tratamento fosse levado a sério e feito de forma
contínua e correta”, alerta o Dr. Alberto Cukier, pneumologista e
professor da Universidade de São Paulo – USP.
A pesquisa GAPP não apenas define necessidades não atendidas
no tratamento da asma, como também revela que existe uma relação
direta entre a comunicação médico-paciente e a aderência
correta dos pacientes ao tratamento. Pacientes que discutem com seus médicos
técnicas para o controle da asma garantem maior aderência às
medicações.
Educação dos pacientes
Em cada país investigado, pacientes e médicos relatam avaliações
diferentes em relação ao tempo dedicado à educação
dos pacientes durante as consultas; 23% dos pacientes estimaram que nenhum tempo
durante suas consultas é utilizado para discutir técnicas para o
controle bem-sucedido da asma; para 87% dos médicos, cerca da metade do
tempo das consultas com pacientes asmáticos é utilizado para discutir
esse tema.
Outra descoberta é que metade dos pacientes afirma nunca discutir efeitos
colaterais de curto ou longo prazos com seus médicos. Entretanto, um grande
número de médicos declara discutir o assunto com seus pacientes.
Medicamentos
Embora as avaliações dos médicos e pacientes em relação
ao controle da asma possam diferir em alguns pontos, eles concordam que os atuais
tratamentos para a asma não chegam a ser ideais. Enquanto 95% dos médicos
acreditam que os CIs (corticóides inalatórios) são o tratamento
“padrão-ouro” para asma, eles também relatam que estão
pouco satisfeitos com os efeitos colaterais dessas medicações.
Oitenta e cinco por cento dos médicos prescreveriam um novo CI caso
esse, de fato, melhorasse o perfil de segurança e tolerabilidade. Em particular,
um novo CI, dotado de eficácia comparável e um perfil melhor de
tolerabilidade, é amplamente suportado por uma variedade de subgrupos de
pacientes, para os quais a asma tem exercido um efeito particularmente agudo em
suas vidas.
Metodologia
A pesquisa GAPP foi subsidiada pela ALTANA Pharma e conduzida pela Harris Interactive,
que submeteu os questionários via on-line, telefone e por entrevistas presenciais,
entre 18 de maio e 24 de agosto de 2005. Um total de 3.459 entrevistas foram realizadas
(1.726 adultos, com idade acima de 18 anos e asma diagnosticada, e 1.733 médicos,
que trataram adultos), em 16 países: África do Sul, Alemanha, Austrália,
Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França,
Irlanda, Itália, Japão, Países Baixos, Polônia, Reino
Unido e Suíça.
Foram entrevistados cerca de 100 médicos e 100 pacientes em cada país;
exceto nos Estados Unidos, onde participaram aproximadamente 200 pessoas para
cada grupo. Os médicos tinham de atender aos seguintes critérios:
praticar medicina atualmente e desde três a 30 anos; atender pelo menos
a três pacientes adultos com asma, por semana; fazer pelo menos uma prescrição
de medicamentos para asma, por semana.
Sobre a asma
A asma é uma doença pulmonar crônica, potencialmente fatal,
causada pela inflamação dos brônquios. Caracteriza-se por
uma variedade de sintomas, incluindo chiado, aperto no peito, falta de ar e tosse.
Segundo a Iniciativa Global para a Asma (Global Initiative for Asthma –
GINA), mais de 300 milhões de pessoas no mundo têm a doença.
As mortes por asma no mundo totalizam mais de 180 mil por ano.
No Brasil, a doença atinge 11% da população e provoca
cerca de 2 mil óbitos anualmente.
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