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31.01.06

Falhas no tratamento e na comunicação
prejudicam controle da asma

 

Resultados de uma pesquisa global quantitativa sobre as necessidades no tratamento da asma revelam que a prevalência da doença vem crescendo em níveis preocupantes: 50% a cada década. No Brasil, a asma afeta 11% da população, sendo que 65% são mulheres, acima dos 40 anos. Principais motivos: falta de um tratamento de manutenção adequado e falha na comunicação entre médicos e pacientes.

O estudo GAPP (Global Asthma Physician and Patient Survey – Pesquisa Global sobre Asma entre Médicos e Pacientes), subsidiado pela ALTANA Pharma e conduzido pela Harris Interactive, foi realizado em 16 países, entre eles o Brasil – uma das três nações com maior prevalência da doença no mundo. A pesquisa aponta discrepâncias nas avaliações dos médicos e pacientes, a respeito dos tratamentos atuais e às questões relacionadas aos efeitos colaterais, qualidade de vida e ao tempo dedicado à educação dos pacientes.

A principal barreira para o sucesso no tratamento, segundo o estudo, é a comunicação entre médicos e pacientes. “A comunicação entre ambos é essencial na condução do tratamento de doenças crônicas, como a asma, e a pesquisa GAPP indica que esse diálogo precisa ser melhorado, em todos os países estudados”, aconselha o dr. G. Walter Canônica, da Universidade de Gênova, Itália, e um dos líderes da pesquisa.

“Uma melhor educação dos pacientes e o aparecimento de novos tratamentos podem incidir sobre alguns tópicos discutidos na pesquisa, e podem, potencialmente, melhorar os resultados clínicos obtidos até agora”, destaca o Dr. Carlos E. Baegna-Cagnani, da Universidade Católica de Córdoba, Córdoba, Argentina, outro líder do estudo.

No mundo, 180 mil pessoas morrem anualmente em decorrência da asma. No Brasil, a doença provoca cerca de 2 mil óbitos no mesmo período. Mais da metade, ou 53%, dos pacientes não reconhece que as crises de asma, mesmo em pacientes com asma leve, podem ser fatais. “A maioria das mortes poderia ser evitada se o tratamento fosse levado a sério e feito de forma contínua e correta”, alerta o Dr. Alberto Cukier, pneumologista e professor da Universidade de São Paulo – USP.

A pesquisa GAPP não apenas define necessidades não atendidas no tratamento da asma, como também revela que existe uma relação direta entre a comunicação médico-paciente e a aderência correta dos pacientes ao tratamento. Pacientes que discutem com seus médicos técnicas para o controle da asma garantem maior aderência às medicações.


Educação dos pacientes

Em cada país investigado, pacientes e médicos relatam avaliações diferentes em relação ao tempo dedicado à educação dos pacientes durante as consultas; 23% dos pacientes estimaram que nenhum tempo durante suas consultas é utilizado para discutir técnicas para o controle bem-sucedido da asma; para 87% dos médicos, cerca da metade do tempo das consultas com pacientes asmáticos é utilizado para discutir esse tema.

Outra descoberta é que metade dos pacientes afirma nunca discutir efeitos colaterais de curto ou longo prazos com seus médicos. Entretanto, um grande número de médicos declara discutir o assunto com seus pacientes.

Medicamentos
Embora as avaliações dos médicos e pacientes em relação ao controle da asma possam diferir em alguns pontos, eles concordam que os atuais tratamentos para a asma não chegam a ser ideais. Enquanto 95% dos médicos acreditam que os CIs (corticóides inalatórios) são o tratamento “padrão-ouro” para asma, eles também relatam que estão pouco satisfeitos com os efeitos colaterais dessas medicações.

Oitenta e cinco por cento dos médicos prescreveriam um novo CI caso esse, de fato, melhorasse o perfil de segurança e tolerabilidade. Em particular, um novo CI, dotado de eficácia comparável e um perfil melhor de tolerabilidade, é amplamente suportado por uma variedade de subgrupos de pacientes, para os quais a asma tem exercido um efeito particularmente agudo em suas vidas.


Metodologia
A pesquisa GAPP foi subsidiada pela ALTANA Pharma e conduzida pela Harris Interactive, que submeteu os questionários via on-line, telefone e por entrevistas presenciais, entre 18 de maio e 24 de agosto de 2005. Um total de 3.459 entrevistas foram realizadas (1.726 adultos, com idade acima de 18 anos e asma diagnosticada, e 1.733 médicos, que trataram adultos), em 16 países: África do Sul, Alemanha, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Irlanda, Itália, Japão, Países Baixos, Polônia, Reino Unido e Suíça.

Foram entrevistados cerca de 100 médicos e 100 pacientes em cada país; exceto nos Estados Unidos, onde participaram aproximadamente 200 pessoas para cada grupo. Os médicos tinham de atender aos seguintes critérios: praticar medicina atualmente e desde três a 30 anos; atender pelo menos a três pacientes adultos com asma, por semana; fazer pelo menos uma prescrição de medicamentos para asma, por semana.


Sobre a asma
A asma é uma doença pulmonar crônica, potencialmente fatal, causada pela inflamação dos brônquios. Caracteriza-se por uma variedade de sintomas, incluindo chiado, aperto no peito, falta de ar e tosse. Segundo a Iniciativa Global para a Asma (Global Initiative for Asthma – GINA), mais de 300 milhões de pessoas no mundo têm a doença. As mortes por asma no mundo totalizam mais de 180 mil por ano.

No Brasil, a doença atinge 11% da população e provoca cerca de 2 mil óbitos anualmente.

 
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