| Gripe, resfriado, amigdalite, faringite, laringite, traqueíte,
sinusite e bronquite são infecções respiratórias que,
freqüentemente, acometem crianças, adultos e idosos e se não
tratadas de forma adequada, podem se prolongar por muito tempo e se tornar casos
crônicos, ou causar complicações mais sérias. Dentre
os principais sintomas que os pacientes apresentam estão coriza, tosse,
febre e dor.
Segundo estudo apresentado no IV Congresso Triológico de Otorrinolaringologia,
realizado recentemente, cerca de 90% dos casos são causados por vírus
e apenas o restante por bactérias. Causas distintas exigem tratamentos
específicos e, portanto, os antibióticos devem ser indicados somente
nos casos de infecções causadas por bactérias, uma vez que
nos casos virais o uso de antibióticos não reduz os sintomas nem
a duração da doença.
A revista JAMA (Journal of the American Medical Association) publicou
um estudo onde cerca de 60% dos pacientes que apresentam alguma infecção
respiratória fazem uso desnecessário de antibióticos. “O
uso indevido e incorreto dos antibióticos, visto que a maioria das pessoas
interrompe a medicação quando se sente melhor, pode provocar resistência,
dificultando o tratamento de infecção bacteriana”, alertou
o Dr. Clystenes Odyr Silva, professor de Pneumologia da Universidade Federal de
São Paulo (Unifesp).
Segundo ele, outra característica típica das infecções
das vias aéreas é o uso concomitante de vários medicamentos,
principalmente quando há dúvida sobre a causa da infecção
ou nos tipos virais mais sérios, que não melhoram mesmo com o uso
de sintomáticos. “Isto é um dos fatores, que na maioria dos
casos, agrava as doenças do aparelho respiratório”, disse
o especialista.
Outros dados estatísticos do Ministério da Saúde revelaram
que, em 2003, 15% das internações hospitalares na rede SUS –
Sistema Único de Saúde – foram motivadas por essas enfermidades,
atrás somente dos casos de gravidez, parto e puerpério (pós-parto).
Em 2002, as doenças do aparelho respiratório foram responsáveis
por 11,1% dos óbitos em todo o País. “Por esse motivo que
se recomenda, em caso de suspeita de infecção respiratória,
que o paciente procure o médico, que pode tanto ser o clínico geral,
o pediatra ou o otorrinolaringologista”, aconselha Dr. Silva.
Ele explica que saber diferenciar a causa da infecção –
viral ou bacteriana - é fundamental para garantir o tratamento adequado
para cada caso, a fim de se evitar o uso incorreto e desnecessário de antibióticos,
que pode causar, por exemplo, a resistência bacteriana e o aparecimento
de efeitos colaterais.
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