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03.01.06

Infecções respiratórias: 90% dos casos são virais

 

Gripe, resfriado, amigdalite, faringite, laringite, traqueíte, sinusite e bronquite são infecções respiratórias que, freqüentemente, acometem crianças, adultos e idosos e se não tratadas de forma adequada, podem se prolongar por muito tempo e se tornar casos crônicos, ou causar complicações mais sérias. Dentre os principais sintomas que os pacientes apresentam estão coriza, tosse, febre e dor.

Segundo estudo apresentado no IV Congresso Triológico de Otorrinolaringologia, realizado recentemente, cerca de 90% dos casos são causados por vírus e apenas o restante por bactérias. Causas distintas exigem tratamentos específicos e, portanto, os antibióticos devem ser indicados somente nos casos de infecções causadas por bactérias, uma vez que nos casos virais o uso de antibióticos não reduz os sintomas nem a duração da doença.

A revista JAMA (Journal of the American Medical Association) publicou um estudo onde cerca de 60% dos pacientes que apresentam alguma infecção respiratória fazem uso desnecessário de antibióticos. “O uso indevido e incorreto dos antibióticos, visto que a maioria das pessoas interrompe a medicação quando se sente melhor, pode provocar resistência, dificultando o tratamento de infecção bacteriana”, alertou o Dr. Clystenes Odyr Silva, professor de Pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo ele, outra característica típica das infecções das vias aéreas é o uso concomitante de vários medicamentos, principalmente quando há dúvida sobre a causa da infecção ou nos tipos virais mais sérios, que não melhoram mesmo com o uso de sintomáticos. “Isto é um dos fatores, que na maioria dos casos, agrava as doenças do aparelho respiratório”, disse o especialista.

Outros dados estatísticos do Ministério da Saúde revelaram que, em 2003, 15% das internações hospitalares na rede SUS – Sistema Único de Saúde – foram motivadas por essas enfermidades, atrás somente dos casos de gravidez, parto e puerpério (pós-parto). Em 2002, as doenças do aparelho respiratório foram responsáveis por 11,1% dos óbitos em todo o País. “Por esse motivo que se recomenda, em caso de suspeita de infecção respiratória, que o paciente procure o médico, que pode tanto ser o clínico geral, o pediatra ou o otorrinolaringologista”, aconselha Dr. Silva.

Ele explica que saber diferenciar a causa da infecção – viral ou bacteriana - é fundamental para garantir o tratamento adequado para cada caso, a fim de se evitar o uso incorreto e desnecessário de antibióticos, que pode causar, por exemplo, a resistência bacteriana e o aparecimento de efeitos colaterais.

 
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