| Os países em desenvolvimento serão os mais
atingidos com o aumento da demência no mundo, revelou uma pesquisa publicada
na mais recente edição da revista científica médica
inglesa, “The Lancet”, do último dia 17 de dezembro. De acordo
com o artigo publicado, um novo caso aparece a cada sete segundos fazendo com
que o número de pessoas com demência no mundo duplique a cada 20
anos.
O relatório, produzido pela Alzheimer’s Disease International
(ADI) é publicado 100 anos depois da primeira descrição da
Doença de Alzheimer e estima que 24,3 milhões de pessoas têm
atualmente demência, com 4,6 milhões de novos casos anualmente. Em
2040 esse número terá crescido para 81,1 milhões.
O estudo ressalta ainda que a maioria das pessoas com demência vive em
países em desenvolvimento: 60% em 2001, aumentando para 71% em 2040. A
média desse crescimento deve aumentar para três a quatro vezes mais
nas regiões de países em desenvolvimento do que nos países
desenvolvidos.
Na China, por exemplo, e países vizinhos há mais pessoas com
demência (6 milhões) do que na Europa Ocidental (4,8 milhões)
ou América do Norte (3,4 milhões). Em 2040 deverá ter tantas
pessoas com demência na China como em todos os países do mundo juntos.
“Estamos frente às batidas de uma bomba relógio. Os governos
precisam começar a planejar ações, alocar recursos na saúde
e para o atendimento social enfrentar essa crise que ocorrerá num futuro
muito próximo”, alertou a presidente da ADI, Orien Reid.
Segundo o professor Martin Prince, que coordena o estudo com a Dra. Cleusa
Ferri, já há uma grande demanda de serviços, bem-estar social
e apoio, e esses novos números indicam que a procura dos serviços
governamentais para demência vão aumentar dramaticamente nos próximos
anos. “Essa necessidade precisa ser considerada de emergência”
disse.
A ADI trabalha para aumentar a conscientização internacional
da doença e em 2006 estará marcando o centenário da primeira
descrição da Doença de Alzheimer numa série de eventos
importantes, culminando com a escalada do Monte Kilimanjaro no dia 21 de setembro
– Dia Mundial da Doença de Alzheimer.
“Estamos trilhando um longo caminho nos últimos cem anos e, se
tudo permanecer como agora, com reconhecimento limitado dessa doença devastadora,
os próximos cem anos parecerão vazios”, disse Michael Lefevre,
diretor executivo da ADI.
Revisão do estudo
Especialistas liderados pela Dra. Cleusa Ferri e Professor Martin Prince, revisaram
os estudos epidemiológicos de diversas regiões do mundo e chegaram
à conclusão, baseados em evidência, na proporção
da população de idosos possível a ser afetada pela demência
em cada região. Essas proporções foram aplicadas nas estimativas
populacionais das Nações Unidas para chegar à quantidade
de pessoas com demência.
Os pesquisadores usaram as estimativas das Nações Unidas para
produzir os números de prevalência para homens e mulheres em cinco
faixas etárias, de 60 anos a 84 anos, e para os idosos com 85 e mais. Nesta
pesquisa foram incluídos todos os tipos de demência (não só
específica como a Doença de Alzheimer, mas demência vascular
entre outras).
A conclusão é que os países e áreas com o maior
número de pessoas com demência são:
China : 5 milhões
União Européia: 5 milhões
Estados Unidos: 2,9 milhões
Índia:1,5 milhões
Japão: 1,1 milhões
Rússia:1,1 milhões
Indonésia: 1 milhão
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