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06.12.05

Pesquisa aponta que maioria dos
brasileiros quer corrigir a visão

 

Resultados de um estudo realizado pelo oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Dr. Leôncio Queiroz Neto, mostram que 60% dos brasileiros que não enxergam bem preferiam estar bem longe dos óculos. Se há alguns anos a idade máxima dos interessados em cirurgia refrativa era até 39 anos, hoje 37% têm mais de 40 anos, sendo duas mulheres para cada homem nesta faixa etária.

A cura definitiva é almejada por 72% dos que querem se livrar das armações e os motivos vão desde melhorar o visual, praticar esporte, dirigir, paquerar, acompanhar aulas, palestras e filmes com maior facilidade, até dormir vendo TV. Outros 28% não se adaptam aos óculos e lentes de contato.

Apesar do alto interesse, 3 em cada 10 pessoas com ametropia (problemas visuais) não podem fazer a cirurgia refrativa, 78% gostariam de se informar mais e 16% temem a operação.

O levantamento foi realizado durante 18 meses com 1.250 pacientes, sendo 754 mulheres e 496 homens, com idade entre 20 e 48 anos. Desse total, 56% ou 700 pacientes eram amétropes (portadores de miopia, hipermetropia ou astigmatismo), sendo que a maior incidência foi de miopia pura e associada a astigmatismo.

Córnea fina
O estudo demonstra que a córnea fina impede 2 em cada 10 pessoas de fazerem a cirurgia. Inconformados com o resultado da paquimetria, exame que mede a espessura da córnea, muitos questionaram sobre as novas técnicas cirúrgicas, comenta o médico. É verdade que a cirurgia personalizada permite economizar até 30% da córnea, mas ainda assim existe uma espessura mínima que deve ser mantida.

O segundo maior impedimento responsável por 6% das contra-indicações são doenças oculares como ceratocone ou catarata e doenças sistêmicas que dificultam a cicatrização, entre elas, diabetes, AIDS e lupos. Isso porque, explica Dr. Queiroz Neto, a má cicatrização pode causar várias complicações pós-operatórias.

A terceira maior barreira é o “olho seco” presente em 4% dos pacientes estudados. O “olho seco” pode ser facilmente tratado não sendo, portanto, um impedimento definitivo, ressalta. Em fase inicial, muitas vezes basta o estímulo da produção de lágrima através da alimentação, ou pela reposição hormonal entre mulheres na pós-menopausa. Também pode ser indicado o uso de lágrima artificial ou oclusão do ponto lacrimal nos casos mais severos.
Como a cirurgia evoluiu rapidamente 78% das pessoas se confundem com a diversidade de técnicas e 16% temem sentir dor ou ficar com a vista irremediavelmente embaçada.

Avaliação
Engana-se quem pensa que a mais avançada tecnologia é a melhor opção para todos os casos. Com milhares de cirurgias já realizadas, Dr. Queiroz Neto afirma que o resultado final está relacionado a muitos fatores, e o mais importante é a avaliação pré-cirúrgica. Sob o aspecto médico, esta avaliação deve incluir além do exame oftalmológico tradicional, paquimetria, topografia corneana, microscopia com contagem de células endoteliais, avaliação retiniana, perimetria computadorizada em casos de suspeita de glaucoma e aberrometria. “Também é fundamental considerar o perfil do paciente, sua profissão, hábitos e necessidades”, comenta.

Dos 210 pacientes que participaram da pesquisa e fizeram a cirurgia 141, ou seja, o equivalente a cerca de 67% foram operados com LASIK.” Isso porque o pós-operatório geralmente é indolor e todos eles precisavam retomar as atividades rapidamente, o que aconteceu em 24 horas”, afirma Queiroz Neto.

A técnica, observa, possibilita a correção de até 12 graus de miopia e a estabilidade da visão da maioria se deu em um mês, mas já nos primeiros dias a visão foi recuperada em 70% nos primeiros dias. Ele explica que no LASIK o microcerátomo é usado para fazer um “flap” ou lamela, corte na córnea semelhante a uma tampa, que fica preso por um dos lados à córnea. O outro lado é levantado, o cirurgião esculpe o leito da córnea e o “flap” é recolocado no lugar. Nesta técnica, a mais comum complicação é a formação de pregas, comenta, mas a correção é simples, bastando levantar e alisar o flap.

Apesar do pós-operatório ser mais dolorido 37 pacientes (1.7,6%) fizeram a cirurgia pela técnica do PRK porque tinham a córnea mais fina, conta o especialista. Anterior ao LAZIK, o PRK é indicado para quem têm até seis graus de miopia, não apresenta aberrações visuais, nem ceratocone. A cirurgia, explica, consiste em raspar o epitélio (superfície da córnea) com o laser e aplanar a córnea aplicando os raios na camada abaixo. Em média os pacientes só puderam voltar às atividades depois de 3 ou 4 dias e a estabilização da visão se deu entre 3 e 6 meses. “Se a aplicação do laser for muito profunda pode surgir haze. Trata-se do crescimento de um tecido esbranquiçado e opaco na córnea que faz a pessoa voltar a ficar míope.
O cirurgião pode raspar o haze, mas a solução é complicada.”

Dos 210 pacientes operados, 32 (15,4%) tinham aberrações visuais, sendo 22 portadores de coma e 10 de astigmatismo secundário. Por isso, estes pacientes passaram por cirurgia personalizada para que estas imperfeições não comprometessem o resultado cirúrgico. Dr. Queiroz Neto ressalta que no pós-operatório a mais importante aberração é a esférica que não precisa de tratamento personalizado, bastando que o laser seja asférico para todos os tratamentos.

A cirurgia laser é bastante segura, sendo raras as complicações pós-operatórias. Como em qualquer outro procedimento podem ocorrer infecções, mas o mais comum, segundo o especialista, são a hipocorreção (quando sobra grau) e a hipercorreção (quando a correção é acima do ideal) que acontecem quando o grau não está estabilizado. Ele diz que a cirurgia dispensa o uso de correções adicionais em 90% dos casos.

 
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