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18.10.05

Estudo revela que artrite atinge mais de 80% das mulheres

 

Um estudo inédito realizado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em parceria com outras três importantes faculdades de Medicina do Estado de São Paulo, traça o perfil dos pacientes que sofrem de artrite reumatóide, doença reumática inflamatória auto-imune mais comum do mundo. A pesquisa analisou 1.555 pacientes e concluiu que 86% são mulheres, 55% têm entre 40 e 59 anos e 67% sentem fortes dores em decorrência da doença.

A coordenadora do estudo e reumatologista da Faculdade Santa Casa de São Paulo, Branca Dias Batista de Souza, diz que não existe ainda uma explicação científica para um número tão alto de mulheres portadoras da doença. “A artrite reumatóide pertence ao grupo das doenças imunológicas auto-imunes, aquelas em que o organismo ataca a si próprio. Por acometer mais mulheres, essas doenças podem estar ligadas ao estrógeno, hormônio sexual feminino que controla a evolução do ciclo menstrual, mas por enquanto é apenas uma hipótese”, analisa.

O estudo foi realizado entre setembro de 2004 e abril de 2005, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto e na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto. “O Brasil é carente de estudos epidemiológicos sobre artrite reumatóide e esse levantamento serve como base para especialistas do país inteiro. É uma amostra do que acontece no Estado de São Paulo, mas se aproxima muito da realidade nacional. O levantamento é importante porque mostra as características dos pacientes com artrite reumatóide e quais as abordagens terapêuticas utilizadas no tratamento dessas pessoas”, explica a reumatologista da Faculdade Santa Casa.

Segundo ela, o estudo deixa claro que a doença pode gerar um custo social muito elevado, tanto para o sistema de saúde como para os institutos de previdência, devido ao alto índice de afastamento do trabalho ou aposentadoria por invalidez. “Por isso o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são tão importantes. Quanto maior o tempo de evolução da doença, maior a sua gravidade e poder de incapacitação”, conclui.



 
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