| Um estudo inédito realizado pela Faculdade de Ciências
Médicas da Santa Casa de São Paulo, em parceria com outras três
importantes faculdades de Medicina do Estado de São Paulo, traça
o perfil dos pacientes que sofrem de artrite reumatóide, doença
reumática inflamatória auto-imune mais comum do mundo. A pesquisa
analisou 1.555 pacientes e concluiu que 86% são mulheres, 55% têm
entre 40 e 59 anos e 67% sentem fortes dores em decorrência da doença.
A coordenadora do estudo e reumatologista da Faculdade Santa Casa de São
Paulo, Branca Dias Batista de Souza, diz que não existe ainda uma explicação
científica para um número tão alto de mulheres portadoras
da doença. “A artrite reumatóide pertence ao grupo das doenças
imunológicas auto-imunes, aquelas em que o organismo ataca a si próprio.
Por acometer mais mulheres, essas doenças podem estar ligadas ao estrógeno,
hormônio sexual feminino que controla a evolução do ciclo
menstrual, mas por enquanto é apenas uma hipótese”, analisa.
O estudo foi realizado entre setembro de 2004 e abril de 2005, na Santa Casa
de Misericórdia de São Paulo, Escola Paulista de Medicina da Universidade
Federal de São Paulo, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina
da USP em Ribeirão Preto e na Faculdade de Medicina de São José
do Rio Preto. “O Brasil é carente de estudos epidemiológicos
sobre artrite reumatóide e esse levantamento serve como base para especialistas
do país inteiro. É uma amostra do que acontece no Estado de São
Paulo, mas se aproxima muito da realidade nacional. O levantamento é importante
porque mostra as características dos pacientes com artrite reumatóide
e quais as abordagens terapêuticas utilizadas no tratamento dessas pessoas”,
explica a reumatologista da Faculdade Santa Casa.
Segundo ela, o estudo deixa claro que a doença pode gerar um custo social
muito elevado, tanto para o sistema de saúde como para os institutos de
previdência, devido ao alto índice de afastamento do trabalho ou
aposentadoria por invalidez. “Por isso o diagnóstico precoce e o
tratamento adequado são tão importantes. Quanto maior o tempo de
evolução da doença, maior a sua gravidade e poder de incapacitação”,
conclui.
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