| Em outubro, durante o Congresso da Sociedade Européia
de Oncologia Médica (ESMO), foram divulgados resultado do Mosaic, um estudo
internacional que avaliou os resultados de uma quimioterapia pós-operatória
(ou adjuvante) em 2.246 pacientes com câncer de cólon.
A poliquimioterapia adjuvante avaliada pelo estudo Mosaic mostrou ser capaz
de reduzir em 25% o risco de recaída ou de óbito de pacientes portadores
de câncer de cólon no estágio III, em comparação
com o tratamento clássico atual. Os resultados do estudo MOSAIC colocam
em evidência um aumento significativo da sobrevida, sem recaída,
nos pacientes que receberam tratamento adjuvante em comparação ao
tratamento clássico atual. Além disso, o novo tratamento oferece
um perfil favorável em termos de efeitos adversos, diferentemente da maioria
dos quimioterápicos, sua tolerabilidade sendo considerada aceitável
pela maioria dos pacientes.
O estudo MOSAIC representa o primeiro avanço importante dos últimos
15 anos no tratamento do câncer de cólon em estágio precoce.
O investigador principal do estudo, o professor Aimery de Gramont, chefe do serviço
de oncologia clínica do Hospital Saint Antoine, em Paris, declara que “os
resultados do estudo MOSAIC mostram que a ablação (retirada) cirúrgica
do tumor, seguida de uma poliquimioterapia, pode ser o primeiro passo para a cura
de vários pacientes portadores de câncer de cólon em estágio
precoce. Eles confirmam a importância de um tratamento adjuvante neste contexto”.
Apesar desses avanços, as informações sobre o câncer
de cólon em estágio avançado e as opções terapêuticas
existentes ainda não são suficientemente conhecidas pelo público.
Em função de sua localização, os tumores de cólon
são os mais susceptíveis de serem detectados em estágio pré-canceroso,
em exames preventivos, e o seu diagnóstico precoce se traduz por um prognóstico
favorável.
O doutor Norman Wolmark, chefe do serviço de oncologia no Centre Allegheny
of Pittsburgh e presidente do National Surgical Adjuvant Breast and Bowel Project
(NSABP), acrescenta que existem ainda muitas idéias falsas sobre a quimioterapia,
principalmente a de que ela só é interessante em casos de câncer
avançado ou metastático. “A verdade é que, para um
câncer de cólon identificado em estágio suficientemente precoce
e tratado de forma eficaz por exerese (retirada do tumor) e quimioterapia adjuvante,
as chances de sobrevida e de cura são extremamente boas para a maioria
dos pacientes”.
Jola Gore-Booth, diretor geral do Colon Cancer Concern, confirma essa idéia.
“A falta de conhecimento constitui uma das principais razões para
que o câncer de cólon continue a ter alto índice de mortalidade.
As lacunas em termos de informação e o desconforto que cerca este
tipo de patologia fazem com que muitas pessoas não reconheçam os
sintomas ou permaneçam inativas em relação a esses sintomas.
Muitas vezes o câncer está em estágio avançado quando
diagnosticado e instaurado o tratamento. É indispensável que divulguemos
a mensagem de que o câncer de cólon é curável se tratado
em tempo, graças a um diagnóstico precoce e tratamento adequado,
da mesma forma que precisamos estimular os pacientes a reagir o mais rapidamente
possível diante dos sintomas”.
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