| Dois estudos vêm sendo realizados por médicos
brasileiros a fim de avaliar a qualidade de vida de pacientes em uso de quimioterapia
oral. Resultados da avaliação de um deles, das pacientes em tratamento
para câncer de mama, foram apresentados em um dos principais congressos
internacionais de câncer de mama do mundo, o San Antonio Breast Cancer Symposium,
em San Antonio, realizado de 08 a 12 de dezembro. Este estudo demonstrou claros
benefícios para as pacientes com câncer de mama tratadas com capecitabina.
O estudo de qualidade de vida foi realizado com 611 pacientes entre 22 e 88
anos de idade todas portadoras de câncer de mama em diversos hospitais do
País. O resultado mostrou que mais de 62% das pacientes tratadas com a
capecitabina tiveram melhora ou mantiveram a qualidade de vida durante
o tratamento. A qualidade de vida foi medida através de questionários
padronizados por grandes instituições internacionais, validados
para a língua portuguesa, que avaliam vários parâmetros tais
como auto-imagem, função sexual, perspectivas futuras e sintomas
gerais.
O moderno medicamento denominado capecitabina anima pacientes e médicos
por ser considerada uma droga “inteligente”. Diferente da quimioterapia,
que age tanto nas células doentes quanto nas saudáveis, a capecitabina
ataca somente as células tumorais preservando as sadias. No caso da
quimioterapia tradicional, efeitos colaterais, como queda de cabelo, enjôos,
feridas na boca, entre outros são inevitáveis.
Um outro estudo brasileiro apresentado em San Antonio avaliou o uso da capecitabina
em combinação à radioterapia para uso pré-operatório,
nos casos onde os tumores de mama têm dimensões um pouco maiores.
Nestes estudos, foram obtidos excelentes resultados, pois a capecitabina
deixa os tumores mais sensíveis à radioterapia, potencializando
assim o efeito da mesma e aumentando a eficácia do tratamento.
O câncer de mama é o que mais causa mortes entre as mulheres no
Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, INCa, mais de 49
mil novos casos da doença estão previstos para 2005. Nos Estados
Unidos, a Sociedade Americana de Cancerologia alerta que uma em cada dez mulheres
tem a probabilidade de desenvolver um câncer de mama durante a sua vida.
A capecitabina é um medicamento tumor-ativado, ou seja, é
ativado apenas dentro do tumor. O organismo absorve o medicamento, que após
algumas etapas metabólicas, entra no tumor e apenas dentro dele é
transformado no agente ativo, exercendo sua ação anti-tumoral, dentro
do câncer. Assim, o medicamento é ativado apenas dentro do tumor,
aumentando a eficácia e diminuindo efeitos indesejáveis como queda
de cabelo.
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