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19.10.04

Nova técnica combate aneurismas
e evita cirurgias de alto risco

 

Tubo metálico (stent) implantado na aorta isola a artéria dilatada (aorta com aneurisma) e normaliza o fluxo sangüíneo do paciente. Estudo feito na Unifesp mostrou que a nova técnica obteve sucesso em 92,9% dos pacientes. A pesquisa foi desenvolvida em pacientes que realizam tratamento endovascular para doença aórtica de múltiplas etiologias, desde 1996. O cirurgião cardiovascular Ênio Buffolo, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), juntamente com uma equipe multidisciplinar, coordena os trabalhos que apresentam sucesso pós operatório de 92,9%. Hoje, pelos números coletados em abril deste ano, já são 680 pessoas operadas com stents implantados por tratamento endovascular.

O trabalho se refere a procedimento cirúrgico para a implantação de stents (pequenos tubos metálicos) que facilitam a circulação sangüínea em pacientes com artérias dilatadas. O implante do stent é feito a partir de um corte na virilha onde se localiza uma artéria por onde será introduzida a sonda guia que leva o tubo metálico até o aneurisma. Ao interromper a passagem do sangue pela dilatação, o stent funciona como uma tubulação ou parede, impedindo o rompimento da artéria. Isolado, o aneurisma retrocede e pode ser absorvido pelo organismo. “Nos últimos cinco anos do trabalho calculamos 11% de complicação nos pacientes”, afirma o dr. Ênio.

A história natural dessa doença mostra uma taxa de mortalidade na casa dos 50%, apesar dos grandes avanços nos métodos de identificação por imagem e do desenvolvimento das técnicas cirúrgicas. Uma das grandes vantagens da nova técnica é que ela evita as operações com grandes cortes na região do tórax e abdome.

Segundo Ênio Buffolo, a Unifesp é referência no mundo inteiro em número de cirurgias realizando 3 por semana. No mês de junho, a experiência foi tema de palestra do congresso espanhol da Sociedade Espanhola de Cirurgia Cardiovascular. Em Abril, também foi tema do maior evento de aorta do mundo, o IX Aortis Surgery Symposium, em Nova York.

A prótese do stent foi desenvolvida na Unifesp e depois teve a tecnologia transferida para uma empresa que hoje produz o material para comércio. "É tecnologia totalmente nacional e chega a ser oito vezes mais barata que as importadas", conclui Ênio Buffolo.

Sobre a doença
Os casos mais comuns são os Aneurismas da Aorta Abdominal (AAA). Artéria de tipo elástica, a aorta é o tronco principal do sistema arterial sistêmico que, com aneurisma, fica dilatada 50% acima do seu normal. Ela se origina da base do ventrículo esquerdo e termina no lado esquerdo do corpo, próxima da quarta vértebra lombar. Por meio de divisão, ela se bifurca e forma as artérias ilíacas (direita e esquerda). O paciente com AAA sente dores na região do abdome e alguns apresentam uma pequena saliência pulsante. Os aneurismas da aorta torácica não são muito diferentes, a não ser pela região apresentada.

Tratamento
O tratamento é feito de forma profilática, através de cirurgia, para evitar que haja rompimento da artéria, provocado pelo crescimento constante da aorta, o que pode levar a uma complicação maior, inclusive à morte.
Mas, como boa parte dos doentes é composta por idosos, muitas vezes o médico decide não realizar a intervenção cirúrgica, considerada de alto risco, deixando o paciente sem opções terapêuticas. Segundo o prof. dr. Ênio Buffolo, a introdução dos stents proporcionou um tratamento alternativo. “Os stents aórticos são uma nova arma terapêutica utilizada para melhorar os resultados no tratamento dos aneurismas”, conclui.

 
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