| Tubo metálico (stent) implantado na aorta isola
a artéria dilatada (aorta com aneurisma) e normaliza o fluxo sangüíneo
do paciente. Estudo feito na Unifesp mostrou que a nova técnica obteve
sucesso em 92,9% dos pacientes. A pesquisa foi desenvolvida em pacientes que realizam
tratamento endovascular para doença aórtica de múltiplas
etiologias, desde 1996. O cirurgião cardiovascular Ênio Buffolo,
professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), juntamente com
uma equipe multidisciplinar, coordena os trabalhos que apresentam sucesso pós
operatório de 92,9%. Hoje, pelos números coletados em abril deste
ano, já são 680 pessoas operadas com stents implantados por tratamento
endovascular.
O trabalho se refere a procedimento cirúrgico para a implantação
de stents (pequenos tubos metálicos) que facilitam a circulação
sangüínea em pacientes com artérias dilatadas. O implante do
stent é feito a partir de um corte na virilha onde se localiza uma artéria
por onde será introduzida a sonda guia que leva o tubo metálico
até o aneurisma. Ao interromper a passagem do sangue pela dilatação,
o stent funciona como uma tubulação ou parede, impedindo o rompimento
da artéria. Isolado, o aneurisma retrocede e pode ser absorvido pelo organismo.
“Nos últimos cinco anos do trabalho calculamos 11% de complicação
nos pacientes”, afirma o dr. Ênio.
A história natural dessa doença mostra uma taxa de mortalidade
na casa dos 50%, apesar dos grandes avanços nos métodos de identificação
por imagem e do desenvolvimento das técnicas cirúrgicas. Uma das
grandes vantagens da nova técnica é que ela evita as operações
com grandes cortes na região do tórax e abdome.
Segundo Ênio Buffolo, a Unifesp é referência no mundo inteiro
em número de cirurgias realizando 3 por semana. No mês de junho,
a experiência foi tema de palestra do congresso espanhol da Sociedade Espanhola
de Cirurgia Cardiovascular. Em Abril, também foi tema do maior evento de
aorta do mundo, o IX Aortis Surgery Symposium, em Nova York.
A prótese do stent foi desenvolvida na Unifesp e depois teve a tecnologia
transferida para uma empresa que hoje produz o material para comércio.
"É tecnologia totalmente nacional e chega a ser oito vezes mais barata
que as importadas", conclui Ênio Buffolo.
Sobre a doença
Os casos mais comuns são os Aneurismas da Aorta Abdominal (AAA). Artéria
de tipo elástica, a aorta é o tronco principal do sistema arterial
sistêmico que, com aneurisma, fica dilatada 50% acima do seu normal. Ela
se origina da base do ventrículo esquerdo e termina no lado esquerdo do
corpo, próxima da quarta vértebra lombar. Por meio de divisão,
ela se bifurca e forma as artérias ilíacas (direita e esquerda).
O paciente com AAA sente dores na região do abdome e alguns apresentam
uma pequena saliência pulsante. Os aneurismas da aorta torácica não
são muito diferentes, a não ser pela região apresentada.
Tratamento
O tratamento é feito de forma profilática, através de cirurgia,
para evitar que haja rompimento da artéria, provocado pelo crescimento
constante da aorta, o que pode levar a uma complicação maior, inclusive
à morte.
Mas, como boa parte dos doentes é composta por idosos, muitas vezes o médico
decide não realizar a intervenção cirúrgica, considerada
de alto risco, deixando o paciente sem opções terapêuticas.
Segundo o prof. dr. Ênio Buffolo, a introdução dos stents
proporcionou um tratamento alternativo. “Os stents aórticos são
uma nova arma terapêutica utilizada para melhorar os resultados no tratamento
dos aneurismas”, conclui.
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