| O Instituto de Investigação em Imunologia
(iii), mantido pelo Governo Federal, descobriu uma molécula capaz
de curar a Leishmaniose cutânea (úlcera na pele) no estágio
mais avançado da doença. Isso significa que a grande maioria dos
casos poderá ser curada. De acordo com Luiz Vicente Rizzo, professor do
Departamento de Imunologia da Universidade de São Paulo (USP) e membro
do iii, a descoberta foi possível com a associação da molécula
GM-CSF ao tratamento convencional da doença, em uma iniciativa pioneira
da Ciência. “Hoje, não existem mais casos incuráveis
e, além disso, podemos acelerar em 100% o tratamento dos mais simples”,
comemora Rizzo.
Por enquanto, a GM-CSF, que reduz as probabilidades de infecções,
somente é produzida para pacientes em tratamento, pois uma empresa norte-americana
detém a patente da molécula. A substância deve ser aplicada
diretamente sobre as úlceras na pele juntamente com o tratamento convencional,
que consiste na aplicação de medicamentos por via intramuscular
e endovenosa.
Segundo o pesquisador, apesar da patente, molécula GM-CSF perdeu valor
comercial no mercado externo, porque já existem substâncias que suprem
seu papel no tratamento de outras doenças. “Com isso, a patente da
GM-CSF pode ser quebrada a qualquer momento, uma esperança para a produção
em escala”, comenta Rizzo. A GM-CSF é uma sigla inglesa que significa
fator estimulante de colônia de granulócitos e macrófagos,
e é utilizada para estimular a produção de leucócitos.
O iii foi pioneiro na associação da substância
ao tratamento da Leishmaniose. A descoberta, que aconteceu após quase dois
anos de pesquisa, foi feita por pesquisadores da Bahia, coordenados por Edgar
Marcelino de Carvalho, e publicada em maio passado na conceituada revista inglesa
Vaccine, destinada às mais recentes descobertas da imunologia.
A Leishmaniose é transmitida ao homem e ao cachorro, seu principal hospedeiro,
por um tipo de pernilongo é mais comum no Nordeste do País, o mosquito
flebotomídeos, principalmente do gênero Lutzomya, popularmente chamado
birigui, mosquito palha ou corcundinha. Porém, a doença também
já afeta Minas Gerais e a região Norte paulista. “Percebemos
um aumento nos índices de infectados nessas regiões onde antes era
difícil o diagnóstico da Leishmaniose”, comenta. Calcula-se
que 100 mil pessoas sofram atualmente da doença no Brasil.
Sobre o Instituto
O Instituto de Investigações em Imunologia atua desde 2002 em uma
rede virtual de laboratórios formada por 32 pesquisadores, de 10 instituições
distribuídas em vários Estados, onde são desenvolvidos trabalhos
nas áreas de tratamento de doenças alérgicas, transplante
de órgãos, imunodeficiência, imunoterapia de tumores e vacinação.
O iii constitui um dos 17 Institutos do Milênio, que visam apoiar o desenvolvimento
de pesquisa científica e tecnológica em conjunto com o Ministério
da Ciência e Tecnologia e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico).
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