| O Brasil mostrou queda na mortalidade por cânceres
de pulmão, brônquios e traquéia. Dados do Departamento de
Análises de Situação de Saúde (Dasis), da Secretaria
de Vigilância em Saúde (SVS), indicam que a redução
ocorreu entre homens, das faixas etárias de 30 a 49 anos, nas regiões
Sul e Sudeste, no período entre 1981 e 2001.
No início da década de 80, o risco do homem, entre 30 e 49 anos,
morador da região Sudeste, morrer por estas causas era de 6 em 100 mil,
caindo para 4,3 por 100 mil no ano de 2001. Na região Sul, o risco de morte
nesta faixa etária caiu de 8 por 100 mil, em 1981, para 6 por 100 mil,
em 2001.
A região Sudeste teve ainda outro avanço. A redução
da mortalidade ocorreu também entre os homens com idade entre 50 a 64 anos,
caindo de 60 para 50 por 100 mil.
De acordo com a Maria de Fátima Marinho de Souza, do Departamento de
Análise de Situação de Saúde da SVS, apesar de o número
de casos de cânceres de pulmão, brônquios e traquéia
passar de 332 para 444 nas últimas duas décadas, na região
Sudeste, e de 186 para 202, no Sul, o risco de morrer por este grupo de causas
específicas hoje é menor. Isto porque a elevação no
número absoluto ocorreu em função do aumento populacional
no período analisado. Ou seja, a mortalidade pelo grupo estudado não
acompanhou o ritmo de crescimento da população.
Para a especialista, a queda pode ser relacionada ao impacto das campanhas
anti-tabagistas promovidas pelo Ministério da Saúde e pelos governos
estaduais e municipais nas últimas duas décadas. A avaliação
é a de que gerações mais novas foram influenciadas a deixar
de fumar ou nem começaram, reduzindo a exposição ao principal
fator de risco do câncer de pulmão, por exemplo.
“A redução da mortalidade por câncer indica que as
ações governamentais mostram seus impactos e devem ser mantidas
e estimuladas”, afirma Fátima. “Aponta também a importância
da análise de dados de saúde para a tomada de decisões, como
foi o caso da indicação de campanhas nacionais anti-tabagistas para
reduzir o consumo de tabaco e, conseqüentemente, doenças relacionadas
ao consumo de cigarro”, completa.
Demais regiões
Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o risco de morte por câncer
de pulmão manteve-se estável no período de 1981 a 2001, o
que também é considerado positivo pelos especialistas do ministério.
Por outro lado, foi observado um crescimento do risco de morte na faixa etária
de 50 a 64 anos. No Centro-Oeste, por exemplo, o coeficiente passou de 27 mortes
por 100 mil homens para 41 por 100 mil. Este dado indica que as campanhas anti-tabagistas
precisam ser mais estimuladas nesta região.
Se por um lado os dados foram positivos para os homens, para as mulheres a
realidade foi outra. Houve aumento da mortalidade por cânceres de pulmão,
brônquios e traquéia entre o sexo feminino, em todas as regiões
e faixas etárias. Apesar de as mulheres morrerem menos de câncer
quando comparadas aos homens, o risco de morte foi crescente para elas no período
de 1981 a 2001. Os maiores percentuais de aumento de mortes foram verificados
nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com 1,9%.
Os coeficientes indicam que a probabilidade de morrer por estas causas era
de 1,4 por 100 mil habitantes no Norte, em 1981, e que passou para 2,0 em 2001.
No Nordeste e no Centro-Oeste, passaram de 0,9 e 2,0 para 1,3 e 2,9 por 100 mil
habitantes, respectivamente.
“A tendência crescente preocupa, pois, se nada for feito, o risco
das mulheres pode começar a se igualar ao dos homens. Esta mesma tendência
pode ser observada nos Estados Unidos”, diz Fátima. O aumento da
mortalidade feminina está associado a fatores culturais. “Com o aumento
das mulheres no mercado de trabalho, elas passaram a fumar mais e, conseqüentemente,
a ter uma maior exposição de risco”.
Além disso, alguns estudos mostram que biologicamente o sexo feminino
é mais suscetível à ação do cigarro sobre o
aparelho respiratório. A hipótese estudada é a de que quando
a mulher fuma há uma interação com fatores ainda não
bem esclarecidos que causam um aumento do risco de morte das mulheres quando comparadas
aos homens.
Os dados da pesquisa sobre a incidência da mortalidade por câncer
estão no livro “Saúde Brasil – 2004”, publicação
lançada este ano pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS)
do Ministério da Saúde.
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