O SETOR EM NOTÍCIAS - Novidades Científicas HOME 


20.09.04

Brasil reduz mortalidade por câncer

 

O Brasil mostrou queda na mortalidade por cânceres de pulmão, brônquios e traquéia. Dados do Departamento de Análises de Situação de Saúde (Dasis), da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), indicam que a redução ocorreu entre homens, das faixas etárias de 30 a 49 anos, nas regiões Sul e Sudeste, no período entre 1981 e 2001.

No início da década de 80, o risco do homem, entre 30 e 49 anos, morador da região Sudeste, morrer por estas causas era de 6 em 100 mil, caindo para 4,3 por 100 mil no ano de 2001. Na região Sul, o risco de morte nesta faixa etária caiu de 8 por 100 mil, em 1981, para 6 por 100 mil, em 2001.
A região Sudeste teve ainda outro avanço. A redução da mortalidade ocorreu também entre os homens com idade entre 50 a 64 anos, caindo de 60 para 50 por 100 mil.

De acordo com a Maria de Fátima Marinho de Souza, do Departamento de Análise de Situação de Saúde da SVS, apesar de o número de casos de cânceres de pulmão, brônquios e traquéia passar de 332 para 444 nas últimas duas décadas, na região Sudeste, e de 186 para 202, no Sul, o risco de morrer por este grupo de causas específicas hoje é menor. Isto porque a elevação no número absoluto ocorreu em função do aumento populacional no período analisado. Ou seja, a mortalidade pelo grupo estudado não acompanhou o ritmo de crescimento da população.

Para a especialista, a queda pode ser relacionada ao impacto das campanhas anti-tabagistas promovidas pelo Ministério da Saúde e pelos governos estaduais e municipais nas últimas duas décadas. A avaliação é a de que gerações mais novas foram influenciadas a deixar de fumar ou nem começaram, reduzindo a exposição ao principal fator de risco do câncer de pulmão, por exemplo.

“A redução da mortalidade por câncer indica que as ações governamentais mostram seus impactos e devem ser mantidas e estimuladas”, afirma Fátima. “Aponta também a importância da análise de dados de saúde para a tomada de decisões, como foi o caso da indicação de campanhas nacionais anti-tabagistas para reduzir o consumo de tabaco e, conseqüentemente, doenças relacionadas ao consumo de cigarro”, completa.

Demais regiões
Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o risco de morte por câncer de pulmão manteve-se estável no período de 1981 a 2001, o que também é considerado positivo pelos especialistas do ministério. Por outro lado, foi observado um crescimento do risco de morte na faixa etária de 50 a 64 anos. No Centro-Oeste, por exemplo, o coeficiente passou de 27 mortes por 100 mil homens para 41 por 100 mil. Este dado indica que as campanhas anti-tabagistas precisam ser mais estimuladas nesta região.

Se por um lado os dados foram positivos para os homens, para as mulheres a realidade foi outra. Houve aumento da mortalidade por cânceres de pulmão, brônquios e traquéia entre o sexo feminino, em todas as regiões e faixas etárias. Apesar de as mulheres morrerem menos de câncer quando comparadas aos homens, o risco de morte foi crescente para elas no período de 1981 a 2001. Os maiores percentuais de aumento de mortes foram verificados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com 1,9%.

Os coeficientes indicam que a probabilidade de morrer por estas causas era de 1,4 por 100 mil habitantes no Norte, em 1981, e que passou para 2,0 em 2001. No Nordeste e no Centro-Oeste, passaram de 0,9 e 2,0 para 1,3 e 2,9 por 100 mil habitantes, respectivamente.

“A tendência crescente preocupa, pois, se nada for feito, o risco das mulheres pode começar a se igualar ao dos homens. Esta mesma tendência pode ser observada nos Estados Unidos”, diz Fátima. O aumento da mortalidade feminina está associado a fatores culturais. “Com o aumento das mulheres no mercado de trabalho, elas passaram a fumar mais e, conseqüentemente, a ter uma maior exposição de risco”.

Além disso, alguns estudos mostram que biologicamente o sexo feminino é mais suscetível à ação do cigarro sobre o aparelho respiratório. A hipótese estudada é a de que quando a mulher fuma há uma interação com fatores ainda não bem esclarecidos que causam um aumento do risco de morte das mulheres quando comparadas aos homens.

Os dados da pesquisa sobre a incidência da mortalidade por câncer estão no livro “Saúde Brasil – 2004”, publicação lançada este ano pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde.

 
envie este texto
para um amigo
versão para impressão